Inspirações

A colagem como expressão atemporal

A colagem, derivada da palavra francesa “coller”, ganhou popularidade no início do século XX, e é definida como uma composição artística feita de vários materiais (papel, pano ou madeira) colados em uma superfície. 

Como processo técnico, a colagem tem uma longa história e remonta ao século XII, quando calígrafos japoneses realizaram os primeiros trabalhos preparando as superfícies de seus poemas, colando pedaços de papel e tecido para criar fundo para suas pinceladas.

A linguagem da colagem após o desenvolvimento da indústria gráfica, principalmente da propaganda e da introdução da fotografia e fotomontagem, criou bases para a sua mais forte componente, seja no meio artístico, no design ou na publicidade: a apropriação, a reciclagem e a reinterpretação e reprocessamento do passado coletivo, presente e futuro.

A colagem é um meio extremamente adequado de canalização e processamento do mundo à nossa volta e encontra-se num lugar privilegiado entre expressões e saídas necessárias.

A sua representação como forma de arte apareceu primeiramente nos trabalhos de Georges Braque no início do século XX. A obra Still life with fruit bowl and glass (1912) é geralmente considerada a primeira papier collé (papel colado). Imediatamente Picasso começa a apropriar-se da técnica e eles passam os dois anos seguintes a experimentar com todos os tipos de materiais.

Os futuristas italianos também utilizavam-se da técnica da colagem, no entanto, atribuindo uma forma mais dinâmica e abandonando o foco cubista e sua forma rigorosa, dando espaço para a sensação de movimento e cores contrastantes. A obra de Carlo Carrà Manifesto for Intervention (1914) é um bom exemplo do futurismo italiano e sua forma mais dinâmica de abordar a colagem.

A lista da utilização da colagem na arte moderna é enorme, já que ela permeou movimentos artísticos como o cubismo, surrealismo, dadaísmo, futurismo, fluxus, pop art entre outras.

colagem-na-arte-modernaA pop art foi um movimento importante para a virada da utilização da colagem e para a relação posterior da mesma com o design gráfico. Uma das suas principais características era a crítica sarcástica que fazia a sociedade, por meio dos objetos de consumo. A publicidade, as ilustrações e a banda desenhada eram frequentemente utilizados como inspiração. O consumo se tornou uma unidade de medida de sucesso financeiro e bem-estar psicológico e os artistas como Andy Warhol, Roy Lichtenstein e Richard Hamilton usavam isso para dialogar na sociedade que estavam inseridos.

Traços da pop art e da colagem ainda são usadas em muitas peças e, principalmente, em campanhas publicitárias, devido a incorporar técnicas de fácil adoração, recorrendo a um misto de cores fortes que se torne obrigatoriamente apelativo pelo seu choque visual.

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A colagem contemporânea, reúne as mais diversas formas de expressão gráfica, numa amostra ampla e ecléctica do panorama atual, influenciadas pelos modos tradicionais (como a colagem) e ao mesmo tempo, lançando-se na exploração de novas formas e ferramentas expressivas criadas pela sociedade da informação e pelos novos meios digitais.

Ela apresenta-se assim como uma técnica atemporal que utiliza-se de recortes do que já foi e torna-se um novo registro que costura o presente, o passado e o futuro.

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Veja alguns vídeos feitos com colagem.

 

 

 

Ver mais:

O trabalho de Vesna Pesic

http://colourspaces.co.uk/interview/vesna-pesic/

As colagens de Eduardo Recife

http://www.misprintedtype.com/

Luis Dourado e suas colagens

http://www.luisdourado.net/

Fontes:

Cutting Edges | Contemporary Collage | Gestalten

Collage: The making of modern Art | Brandon Taylor

Publicidade e Arte – Interfaces: Arte e Publicidade Pop | M. Andreoli

A colagem como processo criativo: da arte moderna ao motion graphics nos produtos midiáticos audiovisuais | Herom Vargas

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