Artes

A criação artística nas capas de álbuns musicais contemporâneos

Se a música é arte, o álbum musical é a obra de arte. E a capa do álbum é um desfecho refinado da obra. Correto? Bom, os conceitos em relação a arte sofrem constantes mudanças devido aos contextos históricos e mais uma série de variáveis, mas começar com uma sutil analogia entre música e arte (preferencialmente artes visuais) já é um ponto primordial para iniciarmos o texto. Assim como muitos julgam um livro pela capa, isso também acontece no mundo da música.

Quantas vezes nos interessamos (mesmo que inconscientemente) mais ainda por tal artista por causa de sua capa ou videoclipe cuidadosamente feito? Às vezes achamos aquela capa ou videoclipe mais interessante que a própria música (um gênero musical que não faz seu estilo mas a direção artística te chama atenção)? Sentimos interesse pelo visual, não há como negar isso.

Trabalhar em cima de uma capa de disco tem sua importância e merece atenção por parte dos profissionais dessa área. Criar um projeto musical, não é apenas exercitar seu talento nas composições sonoras (letras e arranjos musicais), mas também expandir seu talento estético com as criações de capas, videoclipes e todo o conceito artístico por trás do disco.

Com este pensamento, designers e fotógrafos são recrutados todos os dias para trabalhar em cima da criação visual de um álbum musical. Separei cinco portfólios (Jack Vanzet, Arnau Pi Bonany, Samuel Burgess-Johnson, Erik Jonsson e Sigríður Ása) que me chamaram atenção, todos os cinco profissionais gostam de explorar um estilo de design que está em alta (pegada retrô, artística, conceitual e geométrica).

O produto musical se transforma em um fruto de subjetivismo mais intenso quando mesclado com um design que se inspira na arte “pura” e abstrata. Espero que os exemplos abaixo possam servir de inspiração para todos aqueles que apreciam uma boa “obra de arte” com um acabamento que chama atenção (seja pelas cores, as formas, as ideias, ou pelas simbologias contidas nas imagens das capas):

Jack Vanzet

 Arnau Pi Bonany

Samuel Burgess-Johnson

Erik Jonsson

Sigríður Ása

 

Importante notar que as fotos escolhidas são de álbuns (a maioria) independentes. Criar uma capa que flerta com os princípios artísticos e conceituais é muito mais comum no cenário indie, onde o experimentalismo musical (foge da regra ou do padrão que a indústria musical “impõe” aos artistas populares) é mais presente e pertinente. Ao explorar mais a arte nas capas, abre-se um leque de possibilidades para uma criação mais profunda e simbólica no âmbito visual, criando assim uma identidade contundente à uma banda ou cantor(a). Vamos lá…as vezes nós mesmos, como consumidores de conteúdo sonoro, subestimamos o poder de uma capa. Alguns exemplos giram em torno de como uma simples capa pode se transformar em uma figura importante na cultura pop: quem não se lembra da capa do CD do Nirvana, ou dos Beatles? Estes dois exemplos já tiveram tantas releituras e paródias, que perde-se a conta. Nós mal percebemos, mas a identificação e a popularidade de tal artista pode estar relacionada a sua capa e/ou videoclipe.

O design “perfeito” seria aquele que consegue traduzir a essência do conteúdo do objeto, e que consegue tornar algo imaterial (som) em algo palpável (capa de um álbum). A criatividade não tem limites, e o duo eletrônico Instrumenti tenta de maneira literal transformar a música em arte, na descrição do vídeo está escrito: “cada pedaço da capa do álbum foi criada pela música em si”, confere abaixo o vídeo do processo (inusitado e) criativo:

E para dar continuidade, veja o vídeo em que a banda The Fray mostra os bastidores da criação da capa do álbum “The Fray Covers”, de forma bem dinâmica e com um resultado brilhante:

Com mais um exemplo, confira este vídeo promocional do álbum da banda experimental/cinematográfica Oxyde Noir, o grande destaque vai para a direção artística do vídeo:

E para fechar com chave de ouro o post sobre capas de álbuns musicais, veja que interessante esta ideia que pode (sem sombra de dúvida) se transformar em realidade em um futuro (bem) próximo:

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