Publi e MKT

A empresa orientada pelo design

Entre meus sonhos, sempre esteve o de escrever um livro. Talvez isto venha a se tornar um objetivo, por que não.

Mas enquanto não realizo esse sonho, aproveito para publicar aqui alguns assuntos, projetos e inspirações relevantes que encontro por aí. Sempre agradeço por ter este espaço e poder compartilhar o que julgo de grande valia para vocês que todos os dias nos dão a honra de acessar o blog.

E hoje, trago um pouco dessa responsabilidade que é manter-se motivado e crente no que o Design pode fazer pela sociedade como um todo. E como nós profissionais podemos criar essa cultura dentro das empresas em que trabalhamos ou já iniciar uma seguindo essa diretriz. Livros, de diversos assuntos relacionados ou não à minha profissão, me inspiram a ajudam a pensar meu ofício em determinadas situações ou empresas. E este é um indispensável para todos, creio.

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Transcrevo aqui duas páginas do livro A empresa orientada pelo design, de Marty Neumeier, autor também de outra importante obra do branding, que é o livro The Brang Gap. Neste trecho, ele mostra que a empresa tradicional não consegue enxergar o design, colocando no designer o responsável pelo papel da mudança necessária da sua cultura.

Segue:

“Há cerca de uma década, o gosto do público por design era tolhido pelas limitações da produção em massa. Hoje em dia as pessoas têm mais opções de compra e por essa razão fazem suas escolhas em favor da beleza, da simplicidade e da “identidade tribal” de suas marcas favoritas.

Contudo, se o design é uma ferramenta tão poderosa, por que tantos profissionais liberais trabalhando dentro das corporações? Se o valor econômico depende cada vez mais de intangíveis como conhecimento, inspiração e criatividade, por que não ouvimos a linguagem do design, ecoando nos corredores?

Infelizmente a maioria dos gestores de empresas é cega, surda e muda quando o assunto é o processo criativo. Eles aprenderam suas manhas mecanicamente, por meio de uma tradição confinada em teorias de planilha. Conforme uma piada contada por um especialista em administração, em seu mundo a linguagem do design é composta por sons que apenas os cães podem ouvir.

Um exemplo desse pensamento foi dado por Collis P. Huntington, magnata das ferrovias, que visitou a Torre Eiffel logo após sua conclusão. Quando entrevistado por um jornal parisiense sobre o que pensava sobre a torre, ele perguntou: “Sua Torre Eiffel não tem nada de errado, mas como ela vai gerar dinheiro?”

Torre-Eifel

Isso não quer dizer que o pensamento de planilha esteja errado. Ele apenas não é totalmente adequado. Um designer talvez tivesse dado uma opinião diferente sobre a torre: “Que belo símbolo para uma conquista! De hoje em diante as pessoas nunca mais se esquecerão de suas viagens a Paris!”

As estimativas dizem que desde 1897 mais de 120 bilhões de dólares foram arrecadados com a venda de souvenires da Torre Eiffel. O negócio de presentes por si só justifica todo o investimento feito no monumento.

(Minha notinha de rodapé: Retorno sobre investimento. É impossível obter lucro sem investir antes. E design é investimento em experiência, também. Para nós, profissionais, é importante vender essa ideia.)

A lição dada por Paris é vista também em cidades como Londres, com sua majestosa roda-gigante, a London Eye, ou o Bilbao, com seu cintilante Museu Guggenheim. O projeto de Frank Gehry não apenas cativou a imaginação humana em todo o mundo, como também catalisou uma reviravolta econômica para toda uma região.

Se uma empresa deseja ser capaz de gerar o tipo de experiência que direciona nossas mentes e inebria nossos corações, não apenas uma, mas várias vezes, ela não pode limitar-se a contratar um designer. “Ela precisa pensar como um designer, ter a sensibilidade de um designer, trabalhar como um designer.

A mentalidade tacanha do passado não consegue tratar dos problemas capciosos do presente. Já não podemos simplesmente tocar a música do modo como foi composta. Ao contrário, é preciso inventar toda uma nova escala musical.”

O foco do livro é mostrar que os complexos problemas enfrentados atualmente não podem ser mais resolvidos com base no modo de pensar que os gerou. Devemos esquecer a gestão tradicional para solucioná-los e o design é o meio de projetar o caminho dessa resolução.

Fazer design é bom e importante. Adquirir e mostrar a importância dele para empresas e sociedade na hora de resolver problemas é essencial. Design trata-se também de oportunidade, como gerar valor e, acima de tudo, experiência em determinada situação, como a Torre Eiffel por exemplo.

Um abraço e até a próxima.

Referências:

http://www.grupoa.com.br/livros/marketing/a-empresa-orientada-pelo-design/9788577806027

http://www.allbusinessideas.net/gallery/types-of-innovation/types-of-innovation.jpg

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