Inspirações

A originalidade ainda é possível?

Referência, inspiração, cópia, plágio, inovação, releitura, originalidade. Cada um desses termos já daria por si só uma acalorada discussão. Quando os relacionamos ao design, seja ele de que linha for, as possibilidades de pontos de vista, de argumentos, de conclusões, se multiplicam vertiginosamente. Juntando tudo então…apertem os cintos.

O design é multidisciplinar. Envolve arte, estética, comunicação, legibilidade, usabilidade, ergonomia, semiótica, sustentabilidade, viabilidades técnica e econômica, dentre tantas outras variáveis gerais e outras incontáveis específicas a cada projeto que seria impossível listar todas.

Dentro desse universo de possibilidades, tendo que considerar várias questões para cada trabalho, e ainda, pensando em tudo que já foi produzido, ainda é possível ser original? Aliás, o que é originalidade?

Alguém diria que estes produtos foram desenvolvidos no século passado, ou nos lembra algo pós moderno?

Alguém diria que estes produtos foram desenvolvidos no século passado, ou nos lembra algo pós moderno?

 

É polêmico, mas a originalidade em si, no sentido literal da palavra, morreu, já era, sucumbiu a viralidade de conteúdo despejado todos os dias em diversas mídias, compartilhadas pelo mundo. Qualquer coisa que se faça, alguém sempre vai pensar “eu já vi isso em algum lugar”. Sei que críticos ferozes vão dizer que não é bem assim, mas sim, é assim.

O desafio não é mais ser original apenas visualmente. Não se pode mais pensar em inovação como um conceito simples, de fazer algo totalmente novo, que ninguém antes havia feito. Existem outras tantas formas de originalidade, seja na composição, no contexto em que o trabalho é inserido, no seu uso, no seu modo de desenvolvimento, etc.

Dentre os muitos abacaxis que o designer tem que descascar, e talvez este seja o mais complexo, fazer um “novo original” e vender isso também de forma original. Existem vários conceitos que pipocam por aí, como design thinking, ecodesign, dentre outros, mas não é receita de bolo. Cada profissional, para cada projeto que desenvolve, é capaz de encontrar seus próprios caminhos.

Sejamos “originais” também na forma de pensar, fora da caixa, dentro do caixa, em cima da caixa, do lado da caixa…sejamos múltiplos em tudo.

Gisele Monteiro

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