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Design

A Tipografia Impressionante de Cyla Costa e nossa entrevista

Arte de Cyla Costa

Fala criativos!

Hoje lhes apresento o incrível trabalho de Cyla Costa, designer e tipógrafa curitibana e um dos integrantes do coletivo Criatipos que é especializado em criar incríveis projetos de tipografia tradicional. Tivemos o prazer de bater um breve papo com ela sobre trabalho, carreira e hobbies.

Você pode encontrar Cyla Costa e sua arte nos seguintes links:

1- Antes de tudo gostaria de agradecer nos permitir ter a honra de entrevistá-la, nos conte mais de como começou o seu interesse por tipografia e design?

O prazer é meu. Então, eu sou formada em design gráfico mas quando me formei fiquei curiosa pra descobrir novas áreas mais específicas dentro da imensidão que é o design. Estive um período em Barcelona estudando ilustração, que é um campo que eu também adoro, e, pouco a pouco, fui incluindo letras nas minha ilustras, sem pensar muito nesse processo.

Quando vi, já estava fazendo letterings e então fui atrás de mais informação sobre essa área e comecei a fazer workshops de lettering, caligrafia e tipografia. Descobri trabalhos incríveis de artistas de lettering e caligrafia e vi que era isso que eu queria fazer.

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2- Nos fale mais quais são suas referências, mentores e pessoas que a inspiram ao longo desses anos?

Olha, são muitos e sempre incluo novas referências e inspirações! Amo o trabalho super inspirador e cuidadoso da  Jessica Hische, o desenho de letras do Ken Barber da House Industries, é algo que me faz babar, o Erik Marinovich também é fera demais no lettering e na composição. Fico maravilhada com as composições malucas e sensíveis da Marian Bantjes, a exploração artística de formas + caligrafia do meu amigo Yomar Augusto também me inspira muito, o Luca Barcellona tem uma caligrafia insana que me faz ir ao céu, a Gemma O’Brien tem um trabalho de murais com lettering e ilustração que me faz querer ser sua amiga só pra participar de um.

Além disso, meus amigos mais próximos também me inspiram muito, como a Cristina Pagnoncelli, o Jackson Alves e o Eduilson Coan, que fazem parte do Criatipos comigo.

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3- Como funciona o seu processo criativo na criação de uma arte?

Não tenho um método super definido, mas normalmente começa com pesquisa, um mood board. Com isso defino os caminhos que quero tomar, a paleta de cores, as formas e movimentos dos letterings. Fico pouco tempo nessa etapa, pois acho que se a gente pesquisa muita referência acaba ficando meio travado.

Então passo ao desenho feito à mão. A princípio, desenhos bem básicos, com as formas gerais das composições. Em seguida, refino as composições e desenho as letras com mais cuidado. Normalmente, nessa fase do sketch, aprovo o caminho que estou tomando com o cliente. Depois disso, vetorizo e faço a cor, quando a entrega é em vetor, ou então passo a tinta / nanquim, ou qualquer que seja a técnica, escaneio e trato, se a entrega é em imagem.

4- Nos fale um pouco da sua rotina, como é um dia na vida de Cyla Costa?

Primeiramente, café! Depois, vou caminhando até meu estúdio com meu companheiro Ricardo Perini, que é fotógrafo e divide estúdio comigo e mais duas amigas. Moro e trabalho do centro de Curitiba e amo meu estúdio. Acho importante ajeitar o lugar em que se trabalha, pra gente ter prazer de estar ali.

De manhã normalmente organizo a vida, respondo emails, passo orçamentos, resolvo questões pessoais e da minha empresa e penso em como vai ser meu dia de trabalho. No fim da manhã e à tarde, coloco a mão na massa, o que envolve, normalmente, bastante desenho a lápis ou com nanquim e pincel, scanner e redesenho digital. No fim da tarde gosto de sentar num café com meus amigos sempre que posso e meu programa noturno favorito é cinema!

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5- Qual você considera o ponto mais positivo e o ponto mais negativo da profissão?

Acho que qualquer profissão pode ser vista de uma forma legal ou chata. No meu caso, me sinto super afortunada de trabalhar com algo que amo e muitas vezes nem sentir que estou trabalhando. Mas o lance é mesmo descobrir o que funciona pra cada um. Pra mim, a liberdade que eu tenho de horários e escolher trabalhos que eu goste mais são fundamentais pra minha felicidade.

Claro que, quanto mais eu trabalho, mais eu ganho e não tenho férias remuneradas, etc – talvez esse seja o pior ponto. Em compensação, meu dia-a-dia é mais leve quando sei que posso escolher horários e projetos. Quanto a desenhar letras, acho que o ponto negativo, digamos, é que as pessoas não costumavam valorizar muito esse trabalho, mas isso já vem mudando à medida em que trabalhos de lettering são cotados para campanhas grandes. O ponto positivo é poder desenhar letras, o que é uma delícia e ganhar a vida fazendo isso!

6- Qual você considera seu melhor trabalho até o momento e porque?

Um projeto que fiz recentemente para a Intimus, por meio da agência VML – “Sou Maria mas não vou com as Outras”. Vou colocá-lo no ar em breve e mostrar tudo o que foi feito. Foi super extenso, durou uns 6 meses de campanha e foi muito desafiador e legal de fazer, pois eles me deixaram muito à vontade pra criar o que eu quisesse, já que a ideia era que eu representasse uma personagem fictícia, a versão digital da Maria.

Tive que “atuar” pela primeira vez na minha carreira, já que foi gravado um filme aqui no meu estúdio como parte da campanha. O filme foi feito em primeira pessoa com a câmera na minha cabeça, então não mostrava minha cara, mas tive que seguir um roteiro em que a Maria ia criando um lettering com recortes e camadas. Fora isso, fiz diversas artes para posts do instagram da Maria, entre outras ações, como trocar o nome “Maria” da arte do cartaz da campanha pelo nome das meninas que mandavam mensagem pelo Twitter.

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7- Agora um rápido bate-bola:

Um filme: La Dolce Vita

Uma música: Everybody’s talkin’

Um lugar: Greenpoint, Brooklyn

Uma cor: Coral

Uma comida: Qualquer coisa com ovo poché

8- Nos conte mais sobre seus hobbies, quando você não está trabalhando, o que gosta de fazer?

Meu programa preferido é cinema com meu companheiro Perini. Fora isso, amo ir em cafés todos os fins de tarde, me encontrar com amigos, cozinhar e tomar vinho com eles, tomar cerveja em pé na rua, viajar sempre que posso e ler meus autores prediletos – de vez em quando descobrir uns novos também. Também adoro me encontrar com meus amigos do Criatipos pra tomar umas cervejas, experimentar coisas de type & lettering e dar risadas.

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9- Para finalizar, você tem alguma lição que aprendeu ao longo desses anos que gostaria de compartilhar com nossos leitores?

Ulalá, são muitas! Talvez a mais importante, que venho descobrindo nos últimos anos, é nunca se estagnar num ponto de conforto na carreira. O ideal é sempre estar buscando mais, não digo financeiramente, mas criativamente.

Vejo que cheguei num ponto em que, há 5 anos, por exemplo, eu imaginava que seria uma zona de conforto na qual eu poderia ficar por algum tempo. Mas se ficarmos parados, o tédio toma conta e a criatividade se esvai. Então é preciso estar sempre em movimento, tentando coisas novas, se envolvendo em projetos que, às vezes, não são os mais rentáveis ou bem direcionados, mas são de extrema importância pra fazer da nossa vida uma experiência mais artística e gratificante.

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