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Inspirações

Designers brasileiros 02 – Fernando Pimenta

Se Elifas Andreato se destacou pelo vasto trabalho no design fonográfico, Fernando Pimenta é o grande nome quando se fala em cartazes de filmes brasileiros.

CARTAZES DE CINEMA

Concebidos para divulgar o cinema brasileiro, dentro e fora do país, os cartazes são também um registro da manifestação cultural nacional. Ou seja, refletem o desenvolvimento urbano e a evolução do design de cartazes ao longo do tempo. Inicialmente, os filmes eram divulgados através de tabuletas e espelhos biseautés pintados manualmente, de volantes, libretos e de cartazes impressos incorporados das tradições teatrais da França e da Itália.

Neles eram expostos apenas o título, gênero e horário, além do local de exibição, raramente contando com alguma ilustração de estilo Art Nouveau. No Brasil, o desenvolvimento de uma linguagem peculiar do cartaz de cinema não ocorreu de imediato, assim como aconteceu nos Estados Unidos e Europa.

Só no fim da década de 1940, através das transformações técnicas, da evolução da linguagem e do aprumo mercadológico, o cartaz passou a ser utilizado como uma peça estratégica na divulgação dos filmes nacionais. Apesar das produções precárias do cinema no brasil, ainda mais quando comparadas ao modelo produto norte-americano, o cenário se tornou muito fértil para os designer gráficos que quisessem aproveitar dessa nova demanda e experimentar uma nova linguagem.

Fernando Pimenta, produziu cartazes com diferentes estilos e soube, ainda que tenha desenvolvido um estilo próprio, captar as diferentes visões de variados diretores de cinema.

Início

Pimenta nasceu no Rio de Janeiro em 14 de junho de 1950. Cresceu em Copacabana e estudou na Escola Nacional de Belas Artes, Ivan Serpa e no Instituto de Desenho Gráfico. Sua atuação profissional começou no final da década de 60 realizando desenhos de perspectivas e plantas para construção civil, pintura em tecidos, serigrafias sobre embalagens, ilustrações para revistas e capas de livros. Além de já ter lesionado desenho artístico e publicitário, o designer também trabalhou em agências de publicidade. Seu relacionamento com o cinema só foi começar em 1979, um pouco por acaso.

Trajetória

“Eu trabalhava numa agência de publicidade como manchador, (“o cara que faz o layout”), e um dia fui numa festa de maluco e me convidaram para ser ator num filme. Me envolvi também com a produção e tinha um amigo que sabia de cinema, porque eu não entendia nada e tinha que aprender. Então pintou um cara brasileiro que recém tinha voltado da Alemanha, quando deu a anistia. Ele era diretor de produção da Embrafilme e me pediu um cartaz”, relata. “Eu vinha de agência, sabia fazer campanha, outdoor, vinheta, abertura”.

Bye bye brasil – 1º lugar da revista Hollywood Reporter, para filmes lançados nos EUA e no III Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana, 1981

Após fazer esse primeiro cartaz, vieram as outras solicitações. Pimenta então ganhou uma concorrência na extinta Embrafilme para produzir os cartazes do cinema nacional.

“Quando saí, demitido, montei um escritório e a demanda do Brasil continuou lá, era uma loucura”, relembra. “O Luiz Carlos Barreto (para quem Pimenta produziu diversos cartazes), instalou um telefone vermelho dentro do escritório para ter uma ligação direta”, diverte-se.

Águia na cabeça – 1983

O trabalho de cartazista era muitas vezes uma mistura de diretor e artista gráfico. Com a utilização cada vez maior de fotografia, o designer deixava a ilustração e passava a dirigir fotos como a feita para o filme Águia na Cabeça, de Paulo Thiago.

 “A gente mandava fazer uma logomarca (às vezes até em escultura tridimensional), depois fotografava, chamava o ator no estúdio e também fotografava e até os caracteres eram na foto. Depois tinha que recortar tudo isso na tesoura e colar”, conta.

MARCA REGISTRADA

Os Bons Tempos Voltaram, 1985

A erotização é um recurso estilístico muito recorrente nos cartazes de Fernando Pimenta. Ele chama a atenção do espectador ao retratar o clima de um período, sem optar, no entanto, abusar da vulgarizada contida nos filmes. Percebe-se o esmero de composição e um constante estudo de cor e forma.

Eu Sei Que Vou Te Amar, 1986 – 1º lugar no VIII Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana, Cuba.

Contos Eróticos, 1979. Pimenta procurou por uma semana uma melancia com textura uniforme, sem manchas e simétrica.

Pimenta explora de diversas formas a integração de imagem e texto em seus cartazes, seja através de um desenho tipográfico únicos, seja através das cores. É possível observar a evolução das ilustrações e composições. Mostrando que o designer soube acompanhar as mudanças e a modernização do país e do cinema. Um longo trabalho de diversidade como designer e a habilidade de síntese e construção de sentido.

A Cor do seu destino – 1º lugar, Festival de Gijon, Espanha, 1987.

Câncer, 1977.

“Fazer cartaz é algo perto do óbvio. Porque o cara tem ver como um logotipo, uma marca, um ícone ou espírito do filme seja de uma distância de dois metros ou de 50 metros”, observa Pimenta. “Você também não pode mentir, dizer que o filme é melhor do que é, senão o cara sai do cinema matando. Tem que ser honesto”, acrescenta.

Para quem quiser conhecer mais, os cartazes do Pimenta estão todos reunidos no livro “O Cinema Brasileiro em Cartaz”.

“Tem uns 30% que são bacanas, uns 10% são geniais e o resto é um perrengue, mas coloco todos, é a obra de um ser parte da cultura brasileira”, diz Pimenta, sempre franco até demais.

Referências:

FERNANDO PIMENTA E O CINEMA BRASILEIRO NO CARTAZ em http://www.belasartes.br/revistabelasartes/downloads/artigos/3/fernando-pimenta-e-o-cinema-brasileiro-no-cartaz.pdf

http://pimentadesign.com/

http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/fernando-pimenta/

PIMENTA, Fernando. O cinema brasileiro em cartaz. 1. ed. Rio de Janeiro: Pimenta Design, 2006.

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