Inspirações

Entrevista com Isabela Nogueira: Representatividade e Concept Art

Isabela Nogueira é uma ilustradora de 25 anos que reside na cidade de Passa Quatro, Minas Gerais. A maioria das ilustrações de Isabela nos remete ao Concept Art — especialmente Character Design — criação de personagens e cenários para animação, vídeo game, comic book, e outros. Um dos principais destaques no trabalho de Isabela é a recorrente representatividade de minorias sociais; a artista faz questão em criar personagens de diferentes idades, etnias, culturas e formas, constituindo assim um acervo rico e diversificado.

Isabela estuda em casa com material que recolhe da internet, e durante esse tempo, ela fez três cursos de férias, sendo que o último foi o curso de Desenvolvimento Visual na Quanta Academia com André Rocca. A Bela desenha desde sempre, mas começou a levar mais a sério e se dedicou aos estudos por volta de dois anos. Ela nos revela que começou a trabalhar como freelancer recentemente, mas deixa claro que não quer pegar muitos trabalhos, pois seu foco no momento é continuar estudando e se aperfeiçoando.

Acompanhe a Isabela nas redes sociais: facebook e tumblr. E logo a seguir, veja a entrevista realizada com a adorável Bela e inspire-se em sua jornada artística:

1. Seu estilo de desenho é bem focado no Concept Art, especialmente Character Design — criação de personagens. Em que momento da sua trajetória artística, você sentiu interesse por Concept Art? E quais brushes que você mais utiliza nas suas criações?

Eu sempre me interessei muito pela parte de criação no geral. Me sinto feliz aqui [na área de Concept Art]. É algo que eu gosto de me esforçar para melhorar e é aonde eu sinto que tenho alguma chance de me destacar. Além disso, a parte de criação sempre me deu muita voz. Eu sinto que criando, eu posso falar sobre as causas que acredito, dar representatividade para minorias e gerar empatia e isso é algo importante para mim, aliás, eu diria que esse sim é meu foco de interesse. É um pouco complicado falar sobre esse tipo de coisa porque acho que tudo acaba sendo um pouco natural, fui seguindo meus instintos, indo para onde eu achava que poderia me sentir mais livre e acabei aqui [no Concept Art].

Olha, eu sempre faço uma bagunça com brush! Haha Eu nunca gostei de usar, comecei a introduzir no meu trabalho mais recentemente. Acho que o pack que mais uso é o do Zedig e os brushes do photoshop mesmo, gosto bastante de alguns da Loish também.

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2. Quais são os artistas e desenhos animados que mais te inspiram? E por quê?

Eu tenho muitas inspirações, acredito que referência é uma das coisas mais importantes na vida de um artista e eu sempre faço questão de dizer isso. Hayao Miyazaki e Rebecca Sugar sempre estão acima de outros [artistas] para mim, pois mais do que um trabalho excepcional, eles passam uma mensagem incrível, consistente e doce por toda sua obra e isso é algo que eu quero muito fazer futuramente.

Com desenho animado é ainda mais complicado, eu amo animação com todas as minhas forças desde sempre, haha. Tenho uma lista enorme de animações favoritas, mas existem três que são especiais pra mim: “Alice no País das Maravilhas” (que me introduziu a Disney), “A Viagem de Chihiro” (que me introduziu a Ghibli) e “Coraline” (que me introduziu a Laika). Eu sempre me identifiquei com essa história da menina mimada e teimosa que se encontra em um lugar do qual não faz parte, e essas três meninas me apresentaram a esses três estúdios maravilhosos que tiveram e tem muita influência sobre o meu trabalho, então eu sempre vou ser grata a elas.

3. Você tem o hábito de procurar materiais de estudo sobre Concept Art na internet? Se sim, em quais sites/blogs?

A maior parte dos meus estudos eu faço através das referências, acredito que é a melhor forma de se aprender. Então, eu geralmente passo horas no Pinterest ou Tumblr só olhando trabalhos de outros artistas. Eu amo o painel do Character Design Challenge no Pinterest, sempre recorro a ele quando estou sem inspiração.

Acredito que uma parte importante de ser um bom concept artist também é ser curioso, quanto mais ampla é sua biblioteca visual, melhor serão seus concepts. Por isso, sigo muitas páginas sobre assuntos aleatórios no facebook para me inspirar.

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4. Quais recomendações você daria para aqueles que querem entrar e se dedicar ao universo do Concept Art?

• Seja curioso. Não só sobre técnica ou estilo, seja curioso principalmente em relação ao mundo e as pessoas.
• Consuma conteúdo mesmo que você não goste daquilo em específico. É bom lembrar sempre que, apesar de ser divertido às vezes, isso é obrigação, não lazer.
• Não se imponha limites! Quando estava começando, eu escutava muito sobre o quanto é difícil ser concept artist, principalmente character design, diziam “não tem muita vaga”, etc etc. Mas eu sempre tive pra mim que é isso que eu quero para minha vida e se eu precisar ser uma das melhores para conseguir um emprego, é isso o que vou fazer, aliás, esse é o plano desde o começo. Nós nos conformamos muito com determinadas situações e acabamos não vendo nosso real potencial. É bom saber quando você está persistindo em algo apenas por teimosia ou quando você está desistindo cedo demais.
• Então, só pra fechar a sessão conselho, o meu principal: conheça a si mesmo. Parece coisa de livro de autoajuda, mas não é não. Só você sabe qual forma de estudar é mais adequada pra si, quando você está fazendo corpo mole ou só precisa de um tempo, quando está se esforçando ou só sendo teimoso… Se você for honesto consigo e souber o que é melhor para você, já é meio caminho andado.

Claro que baseio esses conselhos nas experiências que tive até hoje, e que não foram muitas, mas elas tem dado muito certo para mim até esse momento. :)

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