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Este monstro tem nome

Em tempos em que o abuso infantil esta em voga na mídia, pois se apresenta cada vez mais como uma realidade no Brasil, a agência Engenhonovo de Salvador, Bahia, lança a campanha autoexplicativa “Monstros”. O anúncio, quase um alltype, realizado para o CEDECA – Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, é constituído de três cartazes para mídia exterior baseados no mote do abuso sexual infantil.

Como um redator publicitário iniciante, não pude deixar de notar o brilhante foco da agência no texto, que relata forma direta os abusos sofridos por milhares de crianças em todo o pais. Com uma linguagem voltada para o público infantil, os cartazes utilizam a figura do “bichinho de pelúcia”, ícone decorativo no quarto de cada criança, para trazer a ternura e doçura violadas. O que também ao meu ver, mostra a forma ambígua de remeter a palavra monstro, que no caso é usada para traduzir tanto aquele “bichinho de pelúcia” quanto para o abusador.

No primeiro cartaz vemos o foco naquele momento derradeiro do abuso, o momento em que a criança vai dormir e se depara com o abusador sexual na calada da noite. A Redação se apresenta muito bem moldada dentro de uma “monstrinho” assustado. Portanto, já vemos desde o primeiro cartaz o medo como um elemento comum permeando toda a campanha.

No segundo cartaz já da nome a este medo sentido pela criança. A figura do pai entra como aquele monstro da história, remetendo ao receptor a mensagem repetida nos noticiários sobre aquelas milhares de crianças que sofrem caladas durante anos com medo das consequências de uma possível denúncia.

O terceiro e último cartaz traz de novo a hora de dormir como um medo constante e como o momento marcante do abuso sexual infantil. E também conclui e reabre novamente o foco na atrocidade ali realizada e o que isso representa para uma criança que tem a sua inocência retirada.

O call to action (Chamada para ação, em inglês) que assina todos os cartazes conclui com maestria uma campanha tão importante e necessária. Parabéns Rodrigo Soares pela excelente redação e criação da campanha que com simplicidade e destreza trata de um tema tão grave e parabéns também aos diretores de arte Lucas Aquery, Heitor Neto, Humberto Farias e Carol Zatti pela linda e simples concepção visual.

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