Design

Ford Design Feeling – Muito mais que um evento de carros

Olá, pessoas!
Na semana passada, a Ford – uma das maiores empresas automobilísticas do Brasil – realizou em São Paulo o evento Ford Design Feeling. Esse evento tinha como objetivo  mostrar a relação do design com a produção de carros e um pouco do processo criativo para a concepção dos modelos. O artigo de hoje é dedicado a apresentar um pouco desse universo para vocês, onde muitas vezes, não sabemos exatamente como funciona para o carro saia do rabisco ao aço, como fala o próprio slogan do evento. Então, bora lá?

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|PROCESSO CRIATIVO|

Como qualquer outro projeto de design, um processo criativo depende de muita pesquisa para que o projeto final possa ser desenvolvido. As etapas têm início através da equipe de Marketing Estratégico que traça informações sobre os clientes alvos do novo carro. Depois que essas informações são colhidas, a equipe de design começa as pesquisas extraindo ideias de peças de arte, arquitetura, tecnologia, comportamento, vestuário e acessórios. “É um mundo de informações que absorvemos e a partir das quais damos vazão à criatividade”, afirma Adília Afonso, supervisora de Design da Ford América do Sul.

Adília conta ainda que o design tem vários meios de pesquisa, inclusive o melhor site global de tendências que possui dados infinitos sobre materiais, cores, texturas, comportamento, macro e micro tendências. “São das pesquisas que tiramos as maiores inspirações, uma vez que nenhum outro site consegue visualizar as novidades com tanta antecedência”, diz a executiva. As pesquisas começam 4 anos antes do lançamento do produto, para que assim, tudo possa ser bem especificado pra o resultado final.

“As pesquisas nos permitem observar, de forma imersiva, os comportamentos dos consumidores de modo a entendermos suas expectativas de uso do produto e traz estas informações para o desenvolvimento”, realça Matheus Demetrescu, gerente de Experiência do Usuário da Ford. Após esse processo, a marca segmenta a pesquisa por assunto e começa a buscar por materiais de tecido, tintas internas e externas e texturas já baseadas na categoria do carro e perfil do cliente. “A essa altura o Programa de Engenharia já nos informou as datas de cada etapa do programa, assim como os custos dos materiais que vamos desenvolver. Dessa forma tudo fica alinhado entre as áreas”, explica Adilia. No dia do evento, foram apresentados os resultados obtidos através dos fornecedores e os resultados das pesquisas sobre cores, materiais e texturas.

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Cada um desses fornecedores também apresenta um estudo de tendência com muitas imagens. A partir daí as ideias começam a ser lapidadas e são transformadas em materiais. A cada encontro as propostas de design vão sendo reduzidas até a definição de duas amostras selecionadas pra cada categoria.  Depois de analisar e colher os resultados, uma seleção é feita e a equipe de Design começa a produzir bancos representativos, interiores de um veículo e aplicação de textura nas partes correspondentes, tintas nas áreas específicas, externas e pintam as portas.

As aplicações desses materiais são feitas nos protótipos produzidos no Centro de Design da Ford América do Sul, instalado em Camaçari, na Bahia, que conta com profissionais que utilizam o estado da arte e da tecnologia, incluindo avançadas ferramentas de design, aliado à criatividade, para o desenvolvimento de veículos.

“Paralelamente a escolha de materiais, são criados os traços do novo carro através de croquis, rabiscos e impressora 3D, que imprime pequenas peças desenhadas em computador. Sendo assim, já é possível ver os primeiros esboços do que será o novo produto.

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O processo conta também com a modelagem de um protótipo em Clay feita por um designer”, diz Fabio Sandrin, supervisor de Design.

|CLAY|

O processo de design na criação de um carro passa por algumas etapas e a utilização de materiais específicos. Após pesquisa de público-alvo, desenvolvida pela área de Marketing Estratégico, o time de design entra em ação para dar vida ao projeto. Eles lançam mão de desenhos, esboços, impressões 3D e utilizam tecido, argila e espuma, entre outros materiais, para confeccionar o modelo, conforme definições abaixo.

Argila

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Tecnicamente chamado de Clay, a argila plástica sintética é utilizada para modelamento da escultura do veículo. Diferente de uma argila comum, que ao ser aquecida endurece e não pode mais ser modelada, sua composição permite que o material, a altas temperaturas, ganhe uma textura mais maleável para facilitar sua aplicação sobre uma base de PU, uma espuma de poliuretano de alta densidade. Ao esfriar, o clay automotivo volta a sua textura mais firme permitindo que os designers, juntamente com os modeladores, possam esculpir sua superfície.

PU

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Sigla de espuma de poliuretano de alta densidade. É um material mais firme e rígido que serve de base estrutural para a aplicação de uma camada de clay.

Tape

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Fita adesiva maleável utilizada para desenhar curvas sobre a superfície do clay permitindo aos designers ajustar proporções, linhas de caráter e orientar o trabalho do modelador. O tape para design automotivo tem a propriedade de poder ser esticado para a execução de curvas mais acentuadas – o que não seria possível com uma fita comum.

Di-Noc

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Filme maleável que imita a pintura metalizada de um automóvel real. Este filme é aplicado sobre o clay e permite que se tenha o visual semelhante a um carro real de produção. Com a aplicação do Di-Noc, pode-se fazer a análise de possíveis defeitos na superfície, avaliação de volumes, sombras e highlights (o modo como a luz incide e cria desenhos sobre a superfície do carro).

Modelo modelado com o Clay em escala 1/3. Esse modelo estava em exposição no dia do evento.

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|DESENVOLVIMENTO|

O desenvolvimento dos carros envolve muito mais que garantir a beleza das formas. Além das pesquisas e dos protótipos, o time de engenharia lança mão de uma série de materiais tecnológicos como roupas que simulam o corpo de uma pessoa grávida e idosa.

|DESENVOLVIMENTO – TRAJES DE EMPATIA|

A Ford, em parceria com seus centros de pesquisa na Europa, desenvolveu e acaba de mostrar, pela primeira vez no Brasil, vestimentas que simulam, em situação próxima do real, os efeitos da gravidez, terceira idade, uso de drogas e embriaguez ao dirigir um veículo. Usadas pelos seus especialistas para pesquisar todos os aspectos e diferentes condições de uso ao volante, o objetivo dos trajes é entender as dificuldades e limitações e também conscientizar sobre o perigo mortal de dirigir sob efeito de álcool ou de drogas.

Essa técnica de simulação contou com a contribuição de cientistas que pesquisaram os efeitos da redução de mobilidade para ajudar no desenvolvimento dos carros da marca e proporcionar mais conforto e melhor dirigibilidade para os motoristas. “Queremos que as pessoas possam se colocar no lugar de gestantes e idosos, por exemplo, e entendam como é entrar e sair do carro, dirigir e até sentir a posição do volante”, Matheus Demetrescu, gerente de Engenharia.

|TRAJE DE GRAVIDEZ|

Permite que qualquer pessoa tenha as mesmas sensações de uma gestante ao volante. O traje adiciona 13 kg ao usuário, reduz os movimentos e o conforto, simulando as limitações físicas durante a gravidez.

|TRAJE TERCEIRA IDADE|

Reduz significativamente a mobilidade do usuário e simula problemas de saúde decorrentes do envelhecimento. Projetada especialmente para dar aos engenheiros e designers uma experiência prática do que é ser uma pessoa idosa, tem vários dispositivos que reduzem a capacidade de se movimentar e comprometem os sentidos.

|TRAJE BEBIDA ALCÓOLICA|

O “Traje do Motorista Embriagado” simula os perigos de dirigir sob os efeitos do álcool, tais como dificuldades de visão, coordenação e equilíbrio.

TRAJE DROGAS|   

Reproduz os efeitos e danos físicos, como o tempo de reação mais lento, a visão distorcida, tremor nas mãos e baixa coordenação motora, produzidos por drogas como maconha, cocaína, heroína, Ecstasy e LSD no corpo do usuário.

Com uma inovadora pesquisa, a Ford conseguiu explicar para usuários ‘comuns’ como é o uso do carro para pessoas idosas e grávidas, cujo a limitação do corpo é maior. Até pessoas drogadas e bêbadas podem ser testadas pelos usuários (não que a empresa aprove o uso dos carros nesse estado, mas sim, apresentando os riscos de dirigir nessas condições).  Eu testei algumas das roupas e afirmo que a realidade de comparação é semelhante ao que ocorre no corpo. Incrível!

*Infográficos sobre as roupas podem ser conferidos aqui.

|ERGONOMIA E USABILIDADE|

Através de estudos ergonômicos e voltados a usabilidade dos carros para qualquer pessoa, a empresa desenvolveu conceitos interessantes sobre a usabilidade dos carros. Em uma das pesquisas, o boneco desenvolvido pela SAE e conhecido como Oscar, com o qual é possível testar o chamado ponto H e definir as dimensões de acomodação de todos os ocupantes do carro. “O ponto H é de onde partimos. Ele vai orientar os desenhos dos engenheiros de ergonomia e acomodação, conciliando também com o trabalho do design. Em conjunto, definimos o melhor balanço estético funcional para o nosso projeto, sempre tendo como foco o uso do produto no dia-a-dia do consumidor”, explica Matheus Demetrescu.

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O #FordDesignFeeling apresentou mais do que simples carros. Apresentou todo um leque de processos, pesquisas e métodos usados para a criação de carros com alta tecnologia e design. Confesso que eu saí de lá com uma nova perspectiva para o design de carros. Pois conseguir entender fielmente como funciona o processo de criação do design automobilísticos.

Curte Design Automobilístico? Curtiu o artigo? Que tal você me dar a sua opinião sobre o artigo e o design de carros?  To esperando, ok?!

Valeu, Ford!
Abraços!

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