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Design

HQ’s como processo de Design #02: Roteiro, Desenho e Arte-Final

Olá pessoas!

Na nossa série sobre HQ’s, já falamos sobre como se começou e o que é são as histórias em quadrinhos (clique aqui para ver o artigo da semana passada). Nessa semana vamos falar sobre o roteiro, desenho e arte-final. Vamos lá!

Roteiro

A grosso modo, o processo de criação de uma história em quadrinhos é bastante similar ao processo do cinema. Basicamente, é composto por etapas de pré-produção, produção e pós-produção. Isso sem mencionar os vários pontos em comum existentes entre essas duas linguagens.

A pré-produção começa sempre pelo tema ou ideia principal da história. Nessa etapa é onde é definido o rumo que a história e os personagens vão ter dentro da obra, geralmente esse tipo de ideia tem que ser explicado em poucas palavras dentro de uma frase.

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Depois da ideia da história definida, a partir daí, começa o trabalho propriamente dito: contar, em linhas gerais (gerais mesmo), a sua história. Narrar, sucintamente, o que vai acontecer; dar um início, um princípio e um fim para a trama. Se for importante para o enredo, a ambientação pode ser escolhida nessa etapa do processo: onde vai se passar a história; em que época; por que tipo de pessoas os personagens principais estarão rodeados.

Além disso, é super importante que o roteirista conheça bem os personagens, eles precisam ser tratados como pessoas reais. Todas as características físicas e pessoais precisam ser bem definidas antes da construção da história. Geralmente os roteiristas listam em folhas a parte todas as características dos personagens, falando sobre gostos pessoais, personalidade, estilos de vida, entre outros. Citam também a aparência física dos personagens, mas essa parte pode ser feita junto com o artista ou unicamente pelo artista, varia muito.

O roteiro é um elemento muitíssimo importante dentro do quadrinho, ele será o responsável pelos personagens, local onde a história vai passar e será a base fenomenal para a construção dos desenhos. O roteiro não pode e nem deve ser excluído desse processo, ele é basicamente o elemento principal de uma história em quadrinhos.

Desenho

Um elemento tão crucial quanto o roteiro. O desenho junto com o roteiro é o que possibilitará o entendimento do leitor e também a sua opinião quanto a qualidade da história. O desenho e roteiro devem se comunicar bem, nenhum dos dois podem trilhar caminhos separados, um depende do outro em todos os sentidos.

A primeira coisa que temos que ter em mente é que, a leitura no ocidente é da esquerda para a esquerda, de cima para baixo, então toda a construção de uma narrativa seguirá essa ordem, pelo menos é o esperado. Como falamos semana passada, os quadrinhos têm uma característica única que é: a forma como é tratado tempo-espaço. Cada quadro dentro de um quadrinho representa um tempo e espaço, quando o desenho passa de uma cena pra outra, nós temos a ideia de que a cena está se desenrolando e que o tempo está passando, isso pode ser representado pelo desenho, com cenários e expressões dos personagens e também com palavras.

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Nessa imagem, percebemos isso com mais facilidade. O espaço vai dizer quanto tempo essa narrativa vai ter, ou seja, quanto mais quadrinhos tiver a história, mais longa ela será.

Os desenhos dos quadrinhos passaram por diversas mudanças desde o seu começo até os dias de hoje, todas essas mudanças foram provocadas por artistas diferentes, períodos históricos, influências, técnicas, estudos e público. Citarei alguns exemplos para que vocês entendam um pouco dessa evolução.

Dick Tracy, desenhando por Chester Gould nos anos 30. Em seu traço, ele usava linhas arrojadas, ângulos obtusos e áreas negras pra sugerir um mundo de adultos implacáveis e mortais.

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Já em Tio Patinhas, desenhado por Carl Barks nos anos 40. O traço com curvas e linhas abertas, passam uma sensação de juventude e inocência.

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Nos anos 60, o leitor da Marvel era em média pré-adolescentes. Os traços eram dinâmicos, mas cordiais, como Kirby Sinnott com o Quarteto Fantástico.

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Como vocês podem observar, todas essas mudanças têm influencias de muitas coisas. O tipo de traço no desenho tem que levar vários fatores em consideração antes de realmente o artista “colocar a mão na massa”.

Uma característica que, em minha opinião se manteve nos desenhos dos quadrinhos em todos esses anos, é o uso de luz e sombra. Se nós observarmos os quadrinhos dos anos 50 até os dias de hoje, uma coisa em comum que eles terão será o uso da luz e sombra na composição dos desenhos. Acredito que essa influência seja resultado do estilo Barroco, onde os pintores utilizavam essa técnica na composição das pinturas. Essa forma de desenhar os cenários e personagens com luz e sombra é uma característica que os quadrinhos vem preservando em todos esses anos.

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É interessante notar que a sombra faz parte dos desenhos. É um elemento que dá força e expressão para os personagens e cenários, além de detalhar certas partes do traço. O poder da luz e sombra pode ser percebido melhor nos quadrinhos de The Walkind Dead, onde todos os desenhos (menos as capas) são em preto e branco, o que reforça ainda mais o uso dessa técnica na construção do HQ.

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Os desenhos dos quadrinhos geralmente são feitos a lápis, mas dependendo do artista, pode ser feito com carvão, nanquim e até canetas. Os artistas delimitam os quadros das cenas nos desenhos, isso pode ser feito com o roteirista da história, mas na maioria dos casos, o artista fica livre nesse sentido. O desenho como vemos nas revistas, não é inteiramente feito pelo artista do quadrinho, claro que existem algumas exceções, mas geralmente ele é responsável pelos sketches (esboços) e as outras etapas feitas por outros profissionais, como veremos um pouco mais a frente. Existem artistas que fazem todo o processo criativo, mas é uma pequena parte que faz isso.

Logo, os artistas ficam responsáveis por dar vida ao cenário e personagens através dos esboços do desenho. O que não deve ser diminuído, o artista é o que dá forma ao roteiro, por isso é importante que os dois caminhem juntos.

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Arte-Final

A arte-final é o processo onde damos vida ao esboço feito pelo artista. Nesse processo, o artista passa o desenho para o arte-finalista e ele fica responsável para dar uma melhor definição do traço originalmente desenhado no esboço. Atenção, o arte-finalista não muda o traço original feito pelo artista, e sim, melhora-lo para que o desenho possa ficar mais bonito e agradável para o leitor.

São usadas muitas técnicas para fazer a arte-final. Pode ser feito com nanquim, deixando assim o traço mais forte e preciso. Esse tipo de técnica é muito utilizado nos famosos Mangás (HQ’s do oriente), onde geralmente o artista faz todas as etapas do processo criativo, evitando assim, gastos desnecessários. Lá o artista desenha e finaliza o desenho, o que não acontece muito nessas bandas daqui.

No ocidente (principalmente nos quadrinhos americanos), essa finalização do desenho é feita no computador por intermédio de softwares, uma espécie de vetorização do esboço feito pelo artista. O Adobe Photoshop, é o software utilizado na maioria das vezes, podendo ter exceções entre um arte-finalista e outro. Esse profissional tem um papel tão importante quanto o artista, pois ele é quem dará toda a “vida” ao desenho do quadrinho, por isso eles sempre trabalham em conjunto, para que se possa ter um resultado satisfatório.

Existem outras técnicas para fazer a arte-final no desenho, e realmente é ilimitado a quantidade de técnicas, mas essa que citei é que uso nos meus desenhos e é também a que os arte-finalistas usam na maioria das vezes.

A imagem a seguir mostra basicamente a diferença entre esses dois processos. A imagem 1 mostra o desenho após a arte-final, já a imagem 2, mostra o esboço feito pelo artista contratado para fazer os desenhos do quadrinho. Finalmente podemos perceber a diferença entre o artista e o arte-finalista, dois profissionais essenciais para a produção de um quadrinho.

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Então é isso pessoal, espero que vocês tenham entendido com clareza esses processos. Semana que vem, vamos falar sobre o processo de colorir o quadrinho, diagramação das falas e um pouco sobre impressão.

Dicas? Sugestões? Comenta aí em baixo, vai que eu deixei passar alguma coisa.  (;

Abraços e até semana que vem!

 

Fontes:

McCloud, Scott. Desvendando os Quadrinhos. Scott McCloud

abismoinfinito.wordpress.com/2010/04/27/fazer-hq-passo-a-passo-2/

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