Design

HQ’s como processo de Design #03: Diagramação e Cores

Olá pessoas, hoje terminamos a nossa série sobre HQ’s. Já falamos aqui sobre a história dos quadrinhos e também sobre os processos para criar roteiro, desenho e arte final (se você ainda não viu, clique aqui e aqui). Hoje falaremos dos processos de diagramação e colorização dos desenhos. Vamos Lá!

Diagramação

Como bem sabemos, a diagramação é muito importante para qualquer projeto de design. Diagramação de uma forma simples é: organizar imagens e textos dentro de um espaço. Esse processo precisa ser bem feito e muito bem pensado, para evitar que os elementos fiquem desorganizados e/ou bagunçados. Quando usamos fontes e textos em um layout, um precisa complementar o outro, dessa forma, a imagem e o texto precisam estar em locais estratégicos para que um complemente o outro, e não se atrapalhem.

Para qualquer diagramação deve se considerar o tipo de mídia e público daquele projeto. Existem diferenças enormes na diagramação de um HQ e um jornal, por exemplo. Um tem um público mais jovem, uma linguagem mais informal e é carregado de imagens. O outro tem um público mais velho, uma linguagem mais formal e contém algumas imagens. As linguagens são para públicos diferentes, isso influenciará na hora da diagramação do projeto. Uma coisa comum em qualquer tipo de layout é o diagrama (grid). Ele é um tipo de grade que delimitará os espaços da página, todos as páginas do impresso vão ser feitas dentro desse diagrama pré-estabelecido, mas é claro que eles podem ser organizados de forma diferente ao decorrer das páginas, mas sempre dentro de um mesmo grid.21

Observem que existe uma grade que delimita todos os espaços para que possa existir uma organização no layout.

Nos HQ’s, a diagramação é muito importante, as falas juntamente com os desenhos é o que darão toda a emoção da cena. Como nos quadrinhos o desenho tem um peso maior que as palavras, todos os balões de falas precisam ficar num local estrtégico,  que não atrapalhe o entendimento que o desenho expressará. Os balões de fala variam de tamanho, formato e tipografia, depende muito do tamanho da fala ou o personagem, alguns personagens têm uma cor, um formato e uma tipografia única que prevalece durante todos os quadrinhos da franquia.

Formato e Tipografia

Para a tipografia, não existe uma única fonte que posso indicar, isso varia de acordo com o diagramador. Existem algumas tipografias que são usadas especificamente para quadrinhos, mas não existe um padrão. A mais parecida que conseguir identificar é a ACME Secret Agent. Criada por Blambot. È legal conferir o site dos criadores, o Blambot Comic Fonts & Letters. Lá existe um ótimo acervo de fontes voltadas para quadrinhos.

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Alguns personagens tem as suas tipografias mudadas de acordo com sua personalidade ou uma fala específica. Isso pode acontece bastante com o Coringa (The Joker), em determinadas falas, a tipografia, cores e balões são alterados para que possa passar uma sensação mais verdadeira. Lembrando que precisa haver um “casamento” entre o desenho e a tipografia.

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Na hora da diagramação é importante que se crie o que chamamos de “boneca”. Essa técnica nos permite prever a organização e numeração das páginas. É um protótipo que pode ser usado para saber qual página vai ficar com qual na folha para poder diagrama-los.

Página 12

A diagramação tem um papel fundamental dentro dos quadrinhos, ela integra a maioria das páginas e ajudará o leitor a entender a história. Ao fazer o desenho, deve se considerar o local onde os balões ficarão, esse processo pode ser feito pelo desenhista, pelo próprio diagramador ou por ambos.

Colorização

Durante toda a história da arte, a cor tem sido um interessante predominante nos artistas plásticos de toda parte. Alguns, como Georges Seurat, deu a vida a seu estudo. As cores podem ser um grande aliado do artista em qualquer meio visual. Nos quadrinhos, a carreira da cor tem sido pontilhada de variações. Há muitas razões para a relação tempestuosa entre quadrinhos e cor, mas a maioria pode ser resumida em duas palavras: comércio e tecnologia. Todos os aspectos relacionados aos quadrinhos têm sido afetados pelo comércio. O dinheiro tem um tremendo impacto nas coisas. Com tudo, a cor neste meio de comunicação sempre foi sensível as mudanças tecnológicas.

A tecnologia da reprodução em cores foi prevista em 1861, quando o físico escocês, Sir James Clerk-Maxwell, isolou o que hoje chamamos de os três aditivos primários. Essas cores – a grosso modo, vermelho, azul e verde – quando projetadas numa tela em várias combinações, podem reproduzir todas as cores do espectro visível. Elas foram chamadas aditivas porque, somadas, resultam numa luz branca.

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Anos depois, o pianista francês Louis Ducos Duhauron teve a ideia de três primárias subtrativas. Essas cores – Ciano, Magenta e Amarelo – também se misturam para produzir qualquer nuança do espectro visível. Só que em vez de somar luz, elas fazem isso iluminando-a. O efeito subtrativo foi conseguido através de substâncias transparentes como celofone, vidro colorido, aquarelas – ou tinta de impressora (hoje em dia).

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O quadrinho em cor atingiu a indústria jornalística como uma bomba. A cor aumentou as vendas, só que também aumentou os custos! Providências foram tomadas para tornar o processo mais custo-eficaz e o processo padrão de “quatro cores” passou a predominar. O visual dessas cores, simples e nítidas, reproduzidas em papel de jornal barato, se tornou a marca registrada dos quadrinhos americanos. Assim, enquanto a arte expressiva da linha fosse sujeita ao filtro subtrativo do comércio, a cor estava sujeita aos filtros      do comércio e da tecnologia. Para compensar o “efeito empobrecedor” do papel jornal e se destacar da concorrência, os heróis foram trajados com cores primárias brilhantes e colocados num fundo mundo primário brilhante.

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Claro que haviam exceções, mas essa era a tendência geral.

Contudo, embora os quadrinhos coloridos não fossem expressionistas, eles assumiram um novo poder icônico: como as cores dos uniformes permaneciam as mesmas, quadro após quadro, elas passaram a simbolizar personagens na mente do leitor.

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Processo Criativo

O processo de colorização de um HQ pode ser feito com várias técnicas. Geralmente é usado o Adobe Photoshop para colorir os desenhos, claro que não é uma regra, conheço pessoas que colorem seus desenhos no Illustrator e CorelDRAW, o que realmente importa é deixar o projeto bacana, ferramenta é o de menos. ;)

Em minha opinião, o melhor soft para se fazer esse processo, até pelas possibilidades, é o Photoshop. A técnica geralmente usada nesse processo, é a pintura digital, técnica que pode ser complexa ou bem simples – depende do conhecimento do colorista – para o processo de criação, são separados vários tons de cores para o personagem, espaços, backgrounds e outras coisas. Antes da produção final, vários testes são feitos para saber a melhor combinação de cores para as cenas e ambientes, não é uma tarefa fácil dar “vida” a um quadrinho. Por isso, os coloristas geralmente estudam muito antes de conseguirem um emprego de colorista e uma editora. É interessante se manter o mesmo colorista em todo o projeto, já li alguns HQ’s em que o colorista mudou no meio do projeto e com essa mudança, as características em que estava acostumado mudaram e o projeto acabou não ficando legal. O mesmo acontece com desenhistas, arte-finalistas e roteiristas.

Vou deixar um vídeo aqui que mostra Alex Sinclair (Colorista da DC Comics) em um processo de criação. Acho que fica um pouco mais fácil de se entender quando vemos o vídeo.

 

As cores são muito importantes em um Quadrinho (ou em qualquer coisa), elas realmente têm um poder incrível na narrativa. Vamos fazer uma pequena comparação, analisem essa imagem.

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Percebam toda a emoção que a imagem 3 trouxe, apenas pelo uso das cores, realmente é incrível o poder que as cores têm!

Bom pessoal, terminamos nossa série sobre HQ’s espero que vocês tenham curtido os conhecimentos colocados ao longo dessas semanas. Lembrem-se que, quadrinhos é um assunto muito extenso, as informações passadas aqui foram resultados de muitas pesquisas, leituras e um pouco de experiência pessoal.  Por isso, se vocês tiverem algo a contribuir, falem no comentários.

Abraços! ;)

 

Fontes:

quadrinhos-ufes.blogspot.com.br/2012/12/diagramacao.html

McCloud, Scott. Desvendando os Quadrinhos. Scott McCloud

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