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Não venda seu sonho

Imagem: Shutterstock

Ocasionalmente converso com ex-colegas de trabalho que ao longo dos anos foram tornando-se amigos ponta-firme. Sabe como é, rola aquela sintonia de pensamento e o cara acaba sempre fazendo parte do seu mundo, daí de tempos em tempos rola uns papos no facebook e logo surge aquela pergunta: e ai, como tá? Tá trampando na área ainda? Realizou aqueles projetos?

Infelizmente notamos que muitos deles ainda não chegaram onde queriam, ou mesmo estão insatisfeitos no local/função que exercem. Na nossa área é comum ver profissionais bons que acabam desistindo porque não ganhavam o suficiente, trabalhavam numa pilha muito grande ou não se consideravam talentosos. Outros muitos aguentam o tranco, mas às vezes se sujeitam a trabalhar em agências que não reconhecem seu talento e sentem-se infelizes com o stress do dia-a-dia.

Dentro deste grupo de profissionais que decide seguir adiante existe o time daqueles que, mesmo no maior perrengue, persiste e corre atrás de um trampo melhor. Muitas vezes nos vemos obrigados a manter um emprego que não gostamos, e isso é fato. Todos temos contas pra pagar. O grande lance aí é perceber que a fase ruim vai passar, e correr atrás.

Grandes profissionais muitas vezes acabam se acomodando à rotina do dia-a-dia, afinal está recebendo um salário que resolve a parada, mesmo o trampo não sendo assim tão bom. Outros acabam sentindo que ainda precisam aprender mais, não acreditam que se sairiam bem em uma agência melhor, e isso acontece inclusive por ser desencorajado com os maus “chefes” que possuem. Tem muita empresa aí apostando em um “ambiente legal e com clima descontraído” em busca de bons profissionais, mas no dia-a-dia tudo o que o cara recebe é job e aquela sensação de que não está se saindo tão bem assim (porque a empresa é uma bagunça e só fica bucha pro cara resolver).

O grande lance está em utilizar seu “medidor de felicidade” para contrastar com as vantagens e desvantagens do local onde trabalha, considerando se seus planos futuros estão se efetivando nesse caminho. Não é raro perceber que, muita vezes nos encontramos na situação difícil de ter que escolher entre as vantagens de um emprego garantido e arriscar sair pro mundo atrás de algo melhor.

Por experiência pessoal, já saí de muitos trabalhos bons, em empresas boas. Sem nada garantido. Corri o risco, dei a cara à tapa e posso garantir: nada foi mais recompensador na vida. Não digo que foi fácil, mas valeu a pena, e muito.

Lembro que em uma das agências na qual trabalhei conheci um cara extremamente talentoso para criação, mas que assim como eu era arte-finalista. A diferença é que o lance dele sempre foi criação fotográfica e audiovisual. Sempre foi um sonho, poder trabalhar com isso um dia. E que fique bem marcado aqui o termo sonho.

À época ele não se sentia feliz com a função que exercia, mas sabia que logo iria alcançar este sonho. Isso, meu amigo, é o que fez toda a diferença. Acreditar no seu sonho. Mas assim como ele muitas vezes acabamos deixando nossos planos como uma prioridade menor, afinal temos que garantir o leitinho das crianças. De certa forma, acabamos vendendo aquilo que mais precisamos.

Não tem problema, sabemos que a vida é cheia dessas, e o lance é sempre ter o sonho em vista. Uma hora o barco vira e a vida deixa a gente de ponta cabeça. É nessa hora, exatamente quando achamos que vai dar merda (ou mesmo em situações que aconteça efetivamente algo ruim que te quebre ao meio), que o sonho se torna um objetivo em nossa vida. E um objetivo é muito diferente, pois é quando percebemos que estamos prontos pra fazer ele acontecer. Um objetivo é mais fácil alcançar. E quando nos damos conta disso, nós progredimos, degrau por degrau pra chegar lá. E quanto mais você se dispõe a superar barreiras e correr riscos, mais próximo você fica.

Esta é uma lição que a vida aos poucos foi me ensinando. Hoje me considero um cara extremamente feliz e realizado, não só profissionalmente mas pessoalmente também. Hoje vejo que meus objetivos estão bem próximos de serem alcançados, e daí vou poder sonhar sonhos bem maiores. E pra chegar nisso tive que correr muitos riscos, passei por muitas crises e prejuízos, tive que abrir mão de muitas coisas que considerava boas porque almejava algo maior (e este algo maior sempre veio). Descobri o caminho do sucesso simplesmente acreditando que lutar pelos meus sonhos iria valer a pena, e hoje vejo que compensou. Parece papinho de auto-ajuda, mas se você leva a sério, vê que funciona.

O amigo que citei acima também passou por momentos que eu nem consigo imaginar o quanto foram difíceis, mas finalmente percebeu este caminho também e hoje está colhendo o resultado de seu sucesso. Quem estiver em SP e quiser dar uma passada no Sesc Campo Limpo a partir desta quarta-feira (03/08) poderá conferir a Monogaleria com Gessé Silva, uma exposição e bate-papo com esse figuraça. Garanto que vale muito a pena pra quem quer conhecer a trajetória de um criativo e pensador de mão cheia.

Imagem: Divulgação

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Tirando o jabá de lado e voltando ao texto, o que temos que perceber é que nossos sonhos devem nortear nosso caminho. Devemos nos questionar diariamente se o fruto de nosso trabalho está nos direcionando para onde queremos chegar. E sucesso aqui não significa trabalhar em uma agência grande, ficar famoso ou ganhar muita grana. Nem Cannes! Sucesso aqui significa fazer aquilo que te enaltece como ser humano. Aquilo de melhor que você quer alcançar, aquele trabalho que mexe com o coração das pessoas, que ajuda alguém, que faz bem a você e aos que te amam. E não necessariamente seguir o caminho da criação seja o certo pra você. No meu caso é.

Para nós criativos, estar em movimento é sempre importante. Precisamos renovar nossa maneira de pensar constantemente, rever nossos padrões e processos, aprender diariamente. E geralmente para ter isso é necessário conhecer pessoas novas, profissionais bons e criativos, grandes líderes. Conhecer maus profissionais e agências também faz parte, mas esses devem ser somente fantasmas do passado. Devemos carregar o que é bom.

Não é à toa que grandes agências possuem uma rotatividade alta de profissionais nas equipes criativas. Quando não é o profissional que precisa sair pra ver gente nova, é a equipe que precisa de um cara novo pra renovar as coisas. É assim que funciona para crescer.

Portanto, pra galera que está começando aí e quer sonhar alto, aquele profissional que está infeliz no trampo ou mesmo que está bem tranquilo e contente, vale a pena dizer: só trabalhe, se possível, naquilo que vai te deixar perto do seu sonho. E se não for possível, vale ter a cabeça tranquila, ir fazendo uns projetos paralelos, ir estudando e correr atrás. Porque pode ter certeza irmão, uma hora vira.

Não estou aqui até as 3 da matina de um domingo escrevendo somente porque sou empenhado. Estou aqui porque faz parte do meu sonho percorrer esse caminho, e tem sido muito recompensador. Boa sorte!

 

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