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O bom design é o mínimo de design possível

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Afinal de contas, o que é um bom design? Não queria tornar essa abordagem tão perigosa quanto falar de religião, time de futebol ou opinião, pois gosto não se discute. Certa vez me disseram que “toda maioria é burra”, e como tudo na vida tem suas exceções, mesmo essa frase bem formulada tem a sua: nem toda maioria é burra.

Um bom design é consolidado, aclamado e inquietante; se todo mundo gosta, ou ao menos considera agradável, ali está o bom design. E ele é eleito espontaneamente pela maioria. O mais interessante é que quando a técnica aplicada ao design torna ele bom, praticamente perfeito, isso faz com que transcenda até a barreira do tempo: ele permanece contemporâneo, mesmo com seu caráter cravado na época que foi criado.

Para ficar mais claro, nada melhor do que exemplos: vou falar sobre um designer industrial alemão, considerado um dos mais influentes do século XX. Dieter Rams, hoje com 84 anos, citado como inspiração por Jonathan Ives, vice-presidente sênior e líder do departamento de design da Apple; é graduado com honras em Arquitetura e Design de Interiores pela Wiesbaden Hertzfeld School of Art, na Alemanha.

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Ele foi o responsável por tornar a empresa Braun, que produzia aparelhos eletrônicos no século XX, uma referência através do visual “clean” dos seus produtos. Por aproximadamente trinta anos, Rams trabalhou como diretor de design da empresa, e se aposentou em 1998. O design minimalista e extremamente funcional de Dieter é um excelente exemplo de bom design até hoje. Suas criações para a empresa Braun são tão icônicas, que se tornaram peças permanentes em museus como o MoMA (Museum of Modern Art), em Nova Iorque.

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Você já deve ter ouvido ao menos uma vez na vida a frase “Menos é mais”, e o responsável direto pelo conceito foi Dieter, que resume sua metodologia de design com a frase “Weniger, aber besser”, que significa “Menos, porém melhor”. Além do trabalho incrível que resultou em peças memoráveis, ele estabeleceu 10 princípios, ou mandamentos, para o bom design. E acredito que eles exprimam bem o que é e como chegar nele:

1 – Inovador
As possibilidades de inovação não estão, de forma alguma, saturadas. O desenvolvimento tecnológico está sempre oferecendo novas oportunidades de inovação no design. Mas o design inovador sempre se desenvolve paralelamente à tecnologia inovadora, e nunca pode ser um fim em si mesmo.

2 – Torna o produto útil
Um produto é comprado para ser usado. Ele tem de satisfazer determinados critérios, não apenas funcionais, mas também psicológicos e estéticos. O bom design enfatiza a utilidade do produto sem ignorar algo que possa prejudicá-la.

3 – Estético
A qualidade estética de um produto é essencial para sua utilidade, pois os produtos são utilizados todos os dias e têm efeito sobre as pessoas e o seu bem-estar. Apenas objetos bem executados podem ser belos.

4 – Torna o produto compreensível
Ele esclarece a estrutura do produto. Melhor ainda, ele pode determinar claramente a sua função, fazendo uso da intuição do usuário. Na melhor das hipóteses, ele é autoexplicativo.

5 – Discreto
Produtos que satisfazem um propósito são como ferramentas. Eles não são objetos de decoração nem obras de arte. Seu projeto deve, portanto, ser neutro e contido, para dar espaço à auto expressão do usuário.

6 – Honesto
Ele não faz um produto parecer mais inovador, poderoso ou valioso do que ele realmente é. Ele não tenta manipular o consumidor com promessas que não possam ser cumpridas.

7 – Durável
Ele evita estar na moda e, portanto, nunca aparece antiquado. Ao contrário do design de moda, dura muitos anos – até mesmo atual sociedade do descarte.

8 – Minucioso
Nada pode ser arbitrário ou deixado ao acaso. Cuidado e precisão no processo de design mostram respeito para com o consumidor.

9 – Amigo do meio Ambiente
O Design tem uma importante contribuição na preservação do meio ambiente. Conserva recursos e reduz a poluição física e visual durante todo o ciclo de vida do produto.

10 – Mínimo design possível
Menos, porém melhor – porque concentra-se nos aspectos essenciais e os produtos não estão sobrecarregados com os não-essenciais. De volta à pureza, de volta à simplicidade.

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