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O poder do Storytelling na Publicidade

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Boa noite, hoje trago-vos um tema bastante actual, muitos de vocês já se perguntaram para que serve o tão ouvido “STORYTELLING” nas áreas da publicidade e da criatividade?

Bem, partindo do principio que o storytelling é a arte de transmitir e narrar uma “história” o cerne da questão é saber comunicar essa história/estória de maneira eficaz! Essa eficácia provem de vários factores como por exemplo das descrições, do alinhamento das acções, do timming, da adequação à audiência, do interesse, da postura do narrador, do ambiente…etc…

Se quer ser um excelente contador de histórias, terá de contar muitas histórias, várias, de todos os tipos e sempre com atenção aos pormenores…sons, vozes, tom, imaginação!

Para melhor entendermos…
Quantos de nós numa festa, num jantar de amigos ou até mesmo no elevador fomos invadidos por uma estória contada por alguém que nem conhecemos?

Estamos num casamento sentados à mesa, uma mesa gigante para 12 pessoas, não temos confiança nem conhecemos ninguém de lado algum. Faz-se um silêncio ensurdecedor. Para quebrar o gelo o Tony alivia o seu laço e dá o primeiro passo arriscando a contar uma anedota… a anedota até podia ter piada, mas o Tony não tem muito jeito para contar piadas (e nunca ninguém o avisou), ele engana-se, volta atrás, não capta a atenção de todos, não projecta a voz e perde até o ânimo com a sua própria piada. O Tony ou é parvo… ou convencido… ou maluco!

Nessa altura há laços que se criam, laços importantíssimos, o primeiro impacto é avassalador e os restantes 11 elementos rotulam logo o Tony. Todos já tivemos um “Tony totó” nas nossas vidas! Todos os elementos da mesa se sentem incomodados, uns fazem o favor de rir da piada, outros riem mas é do Tony…

Em vez do Tony começar a contar uma piada, podia-se ter apresentado, e iniciar devagarinho o processo de impacto de forma estruturada e crescente …talvez o básico…“hoje está realmente um dia muito quente não está?”.

Sabe aquela sensação que você até sente vergonha não de si mas da pessoa que conta a piada? E quando a piada é super “picante” e é bastante inconveniente para o local/momento/audiência?

Nessa mesma mesa o Pedro sentiu que o Tony necessitava de ajuda, uma vez que o clima ficou ainda mais constrangedor. Solicitou a atenção de todos para contar uma outra anedota. O Pedro arrasou! Toda a mesa desatou a rir, no timing certo, uma piada inteligente, muito bem contada, teatralizada, nota 10! O Pedro passou automaticamente a liderar a mesa. Até lhe solicitaram que continuasse a contar anedotas! O Pedro passou a ser o tipo espetacular cheio de gracinha que todos adoraram e que todos querem ter como amigo!

Exactamente, este primeiro impacto é essencial para as marcas/produtos ou serviços. É através da estória e de como é contada a estória que a audiência vai reagir positiva/negativamente. As marcas sabem disso, sabem que com uma boa história conseguem envolver e emocionar as audiências. Utilizam o conflito, a tensão, o suspense e o mistério com a finalidade de:

Entreter, Informar, Instruir, Influenciar, Dominar, Transformar, Moralizar, Encantar, Envolver, Dissimular, Manipular, Liderar, Comunicar e Vender.

Todos os elementos da mesa vão um dia mais tarde recordar e relacionar o Tony ao teor da sua estória como “o falhado” e o Pedro como “o espetacular” relacionando-o com o teor da sua estória.

As marcas sabem que todos nós enquanto crianças gostávamos de histórias e para além de gostarmos conseguíamos fixar os acontecimentos e reproduzi-las na integra. Ora, se tudo isto é verdade e funciona porque não nos contarem as suas próprias histórias ou segmentos de estórias e relacionarem-nas com os seus objectivos?

“A dissimulação, o encantamento, a magia das estórias são instrumentos que nos acompanham desde sempre, são armas, se assim quisermos colocar, que nos auxiliam nas batalhas da vida”.

Agora espero que todos entendam bem a importância de contar histórias, e que adaptem a história consoante os vossos objectivos.

 

Referências:
McSill, James, A Arte da Guerra no Storytelling, Topbooks, 2014.

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