Proibidoes3
Publi e MKT

Proibidões #3

Quatro rodas e polêmica combinam e muito. Hyundai e FIAT mostraram como a ideia de vender carros pode ser traiçoeira e dar um prejuízo no orçamento. Assistam aos dois comerciais e tentem imaginar o porquê das proibições.

Veloster – Morte

Nem todo proibidão é brasileiro ou tem a mão do CONAR, dessa vez a “culpa” foi dos holandeses em retirar do ar a peça publicitária feita para divulgação do Veloster. Posso caracterizar a grosso modo esse vídeo produzido para a Hyundai como: engraçado, inteligente e de fácil compreensão para o consumidor. Um carro com três portas e muita segurança, pronto, as imagens já falaram tudo. E além do mais, é bom citar que o vídeo foi muito bem produzido, ficou ótimo.

Apesar de todos aspectos positivos citados sobre o comercial, a temática usada foi a morte e sua associação ao trânsito, graças a isso, a veiculação do vídeo foi proibida rapidamente. Várias pessoas acharam o filme de muito mau gosto, ao mesmo tempo em que, outras acharam sensacional.

A polêmica gerada acabou por divulgar a marca e o produto. Seja de forma positiva ou negativa, a propaganda se espalhou como um viral. Vejamos com mais cuidado o porquê do buzz negativo, apesar do aparente sucesso na divulgação:
1º) Uma mulher é atropelada;
2º) A propaganda induz quem está assistindo a achar graça na situação, dentro do contexto, claro;
3º) Morte no trânsito é um tema sério e foi abordado de outra perspectiva, ou seja, algo cômico.

Pronto, esses são os principais fatores que geraram a polêmica toda.

Outra questão negativa para a marca, é a ideia passada de que os veículos com quatro portas não possuem a mesma segurança do Veloster, mas a própria Hyundai produz carros com todas as quatro portas. Ponto negativo.

Alguns boatos surgiram afirmando que foi intencional causar a proibição. Outro ponto que contradiz tudo dito aqui, é o fato pelo qual poderíamos pegar a ideia da propaganda, e criar uma campanha de conscientização no trânsito. Eu me pergunto: se fosse alguma propaganda do governo para chamar a atenção dos motoristas e passageiros, daria tanto buzz negativo?

Enfim, posso dizer que foi uma sacada muito legal, mas deveriam ter mais cuidado ao produzir a peça, afinal, polêmicas sempre atingem alguém. Outra solução poderia ter sido encontrada sem a necessidade de provocar os consumidores mais sérios e conservadores da marca.

Fiat – Novo Palio. Impossível ficar indiferente.

Presídio e publicidade, pois bem, juntem estes dois elementos e terão a peça publicitária: “Novo Palio. Impossível ficar indiferente.” Esse comercial foi criado para divulgar o novo Palio da FIAT em 2004. A agência Leo Burnett produziu o filme “Presidiário” e juntamente com a produção veio a discussão de ética do case.

Alguns temas, como sexo, AIDS, morte e muitos outros, são títulos bastante delicados. Na publicidade é fundamental retirar o máximo de algo sem causar danos à marca e ao produto/serviço. Outro ponto é: saber o que ofende ou não seu público alvo.

A proibição do vídeo veio com uma cena final na qual o homem, um ex-presidiário, supostamente quebra o vidro do carro para roubá-lo. Apesar de não mostrar o ato, é bastante claro e óbvio que o homem rouba o veículo. Vivemos em uma sociedade, acreditem se quiser, conservadora, e propagandas como essa não ficam no ar por muito tempo.

Não acredito que alguém em sã consciência roubaria um carro apenas por ter visto o comercial na TV. Mas ao me colocar em uma posição crítica, percebo que realmente é uma propaganda forte e que traz consigo o humor negro. Vivemos em um país cujo sistema penitenciário é falho e o estereótipo de um ex-presidiário acarreta um fardo bastante considerável. Sendo assim, o conselho de ética viu o comercial como ofensivo, e também como um objeto de referência ao roubo de carros.

Agora vou copiar e colar um trecho publicado pelo CONAR sobre o filme produzido para o Palio. “Confrontando-se a peça promocional em questão com o espírito que norte ou a elaboração do Código de Auto Regulamentação Publicitária chega-se à inarredável conclusão de que a conduta ética da FIAT AUTOMÓVEIS S/A e de sua agência LEO BURNETT PUBLICIDADE L TDA. foi, para dizer o mínimo, deplorável.” Baseado nos Artigos 1º, 2º, 3º, 6º, 17, 19, 20, 21, 26, 34 letra c e 50 letra c do código, o CONAR suspendeu sem piedade a peça criada para a FIAT.

Fica agora a seu critério absolver ou culpar as agências responsáveis pelos proibidões de hoje. E aí, qual sua opinião? Foi justa a retirada do ar ou esses comerciais não mereceram o terrível fim?

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