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Quando a entrega faz a diferença

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Nos últimos tempos o mercado publicitário tem batido forte na tecla de que a melhor maneira de atingir um público é entregando a ele algo de valor. Não somente valores tangíveis como a entrega de produtos gratuitos mas, especialmente, valores intangíveis como estilo e experiências de vida.

Estive conversando ultimamente com alguns colegas de trabalho sobre o último episódio da série Lost, grande sucesso de público que veiculou de 2004 a 2010. Muitos foram os fãs que se decepcionaram com o final na época em que foi ao ar, e quando assisti achei muito bacana, o desfecho fez bastante sentido para mim. Ao que me disseram “Pô, mas você viu tudo em uma tacada só. Você não ficou esperando 6 anos pelo final da série”. Tal constatação me trouxe à luz justamente essa questão da entrega, a questão mais profunda da construção de uma marca, produto ou serviço ao longo de sua história.

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Hoje estamos na época da explosão de marcas, séries de TV e diversos outros produtos que nos tocaram quando éramos crianças/jovens. Quer um exemplo disso? Veja o sucesso dos filmes da Marvel e DC, sua adaptação no mercado (dos quadrinhos ao cinema). Ou da Coca-cola, McDonalds e diversas outras marcas que vendem não somente produtos, mas um estilo de vida, um conceito de felicidade e experiências emocionais ao longo de muitos e muitos anos.

Quem não se lembra das propagandas de Marlboro, e do impacto visual/emocional que causavam. Ou então das garrafinhas e mascotes da Coca-Cola. Quem não se emociona ao ver algo estrelado pelo Pica-pau ou Pernalonga? Chaves ou Simpsons. Não à toa muitas empresas se aliam a estas grandes franquias a fim de alcançar um público mais amplo, e podemos constatar a grande quantidade de parcerias firmadas por Walt Disney e Turma da Mônica, por exemplo, estampando milhares de produtos e bugingangas no nosso dia-a-dia.

Neste domingo pude comparecer gratuitamente ao 20º Cultura Inglesa Festival, que contou com Kaiser Chiefs como atração principal, e a abertura do show marcou com a grande Nação Zumbi. Um show incrível, uma experiência sensacional. E ninguém ficou enchendo muito o saco para promover a marca além do habitual. Outro grande evento que pude participar neste ano foi o House of Vans. Show incrível – também gratuito – promovido pela marca Vans, que contou com Black Rebel Motorcycle Club no palco. Ambos os eventos proporcionaram a mim grandes experiências, especialmente por serem gratuitos e me inserirem em um universo de marca único através de um evento delicioso. O mesmo ocorre anualmente com o Bourbon Street Fest, que sempre promove a casa de jazz/blues mais badalada da cidade.

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Estes eventos são sempre muito bem organizados, o que evidencia a grande preocupação das marcas em vender no melhor estilo, vender qualidade, vender algo que você irá levar no seu coração para sempre. Fora isso, as peças gráficas são sempre lindas, bem impactantes, bem produzidas. Esta estratégia de marca mostra o quanto as grandes empresas podem ser preponderantes no seu dia a dia, e elas te conquistam justamente nessa entrega. Para um público jovem, que cresce em meio a grandes experiências de marca, esse impacto é decisivo na escolha futura de serviços e produtos. Quem não vai se interessar por um tênis maneiro daquela marca tão legal? E quando seu filho crescer, você não vai querer colocar ele em uma escola de inglês de primeira? Pois é meu amigo, esse é o pulo do gato.

Experiência de marca e entrega não é algo novo. Também não é algo simples, muito menos barato, por mais que esteja bem na moda atualmente. Não é algo que se faz simplesmente entregando um brinde qualquer e esperando um retorno imediato. Uma marca se constrói quando ela sabe quem é seu público, sabe como atingi-lo e sabe como fazer isso de uma forma inesquecível. Uma marca se constrói dia após dia. A Cultura Inglesa já faz isso há 20 anos, o Bourbon Street há 14. A Vans está completando 50 anos e realizou o evento em diversos países simultaneamente. Não é à toa que se chega em um status tão grande. Quem não se lembra do Hollywood Rock, do Free Jazz Festival, Tim Festival, etc.

Imagem: Divulgação

Não adianta nada comprar os direitos pra meter o Mickey na embalagem do seu produto, pois você só estará fortalecendo a Disney. O que as grandes marcas – e o mercado de comunicação – precisam entender é justamente o grande lance de “ser” o Mickey. Crescer ao lado do seu público. Lembrá-lo de forma sempre visceral o quanto ele é bem tratado pela sua marca. E o público novo está sempre crescendo e explodindo, basta entrar na onda.

Se você pretende ser relevante, a entrega deve começar agora, ser construída diariamente, sem pressa, sem forçar a barra. Você precisa primeiro jogar um monte de gente em uma ilha deserta e deixar a história rolar, mas deve sempre se lembrar de não desapontar aqueles que cresceram ao seu lado justo no último episódio.

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