Design

Designer brasileiros 03 – Rafael Cardoso

Quem pesquisa sobre design é designer? Ok. Rafael Cardoso não é um profissional do design já que ele não realiza projetos na área. Mas o fato é que existem poucos brasileiros que saibam tanto sobre o design quanto ele. E, talvez, Rafael mereça sim um título de designer pesquisador. :D Acreditando nessa premissa, ao fazê-lo parte desse grupo de profissionais, o design e os profissionais desse campo provavelmente só teriam a ganhar.

Rafael_Cardoso

Pois bem, Rafael Cardoso é escritor, historiador da arte e grande contribuidor para a construção de uma bibliografia de design brasileiro. Entre seus trabalhos de pesquisa e ensaio estão os livros Impresso no Brasil: Destaques da história gráfica no acervo da Biblioteca Nacional (Verso Brasil, 2009); A arte brasileira em 25 quadros (1790-1930) (Record, 2008); Uma introdução à história do design (Blucher, 2008); O design brasileiro antes do design (Cosac Naify, 2005); e Art and the Academy in the Nineteenth Century (com Colin Trodd; Rutgers University Press, 2000). Na ficção, publicou o livro de contos Entre as mulheres (2007), e os romances Controle remoto (2002) e A maneira negra (2000), todos pela Record. o-Design-brasileiro-antes-do-Design_Impresso-no-Brasil_Rafael-Cardoso_amenidades_design

Nascido no Rio de Janeiro, em 1963, Cardoso já veio ao mundo com uma bagagem cultural diversificada. Seu pai era um físico francês, filho de alemães que migraram para o Brasil durante a II Guerra Mundial. Já sua mãe, veio de uma família mineira recheada de escritores, como seu tio  Lúcio Cardoso. Aos cinco anos, seus pais se mudaram para os Estados Unidos, na Virgínia, onde ele passou grande parte de sua infância. Voltou para o Brasil após 1985 se graduando em História da Arte pela UFRJ e, em seguida, tornou-se PhD pelo Courtauld Institute of Art (Universidade de Londres).

Mais recentemente, lançou o livro Design para um mundo complexo (Cosac Naify, 2012). No livro, vários questionamentos sobre o papel do design e sua permeabilidade no tempo e contexto são levantados. Questionamentos sobre a crescente imaterialidade e o excesso de informação que a contemporaneidade vem trazendo e quais são as consequências disso no design. Interessante também é a forma com que o pesquisador aborda a defasagem entre teoria e o ensino de design. Cardoso que trabalha como professor na Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade Estadual do Rio de Janeiro é designer no meu coração. Para defender o meu ponto, deixo uma citação do próprio escritor:

O que define o objeto de design é muito mais seu uso do que o próprio objeto. Este pode estar em uma situação em que sua dimensão projetiva é evidenciada ou não. Há objetos que são categorizados pelo senso comum como tipicamente de design, mas quando estão dentro de um museu, ou atrás de uma vitrine, mudam sua função. Eles passam a ter um uso que é muito mais próximo do da obra de arte num museu. Tudo depende do contexto.

Como defensora do design que se aproxima muito mais do conhecimento, do projeto e menos da execução (não retirando a devida importância da execução), querer que Cardoso seja meu similar, que esteja próximo de nós designer, é dizer que de fato procuramos e compartilhamos esse conhecimento que ele exala. Gostaria que estivéssemos no mesmo contexto.

Para quem quiser conhecer um pouco mais das ideias de Rafael, deixo link de uma ótima entrevista dele feita pelo jornalista Marco Aurélio Fiochi: Una coisa mentale

 

Referências: 1 | 2 | 3

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