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Representatividade na publicidade – respeito à diversidade

Parece que é muito mais fácil fazer uma propaganda que coloca a mulher como objeto, em vez de pensar um pouco mais e fazer um material inteligente e que venda, sem precisar usar um corpo estereotipado. Isso parte do publicitário e do marketing do cliente (não generalizando), que pensam que só se consegue vender o produto com um (a) modelo nos padrões que “alguns” da sociedade impõem.

Uma pesquisa realizada em 2016, pela agência de propaganda Heads e publicada no Portal da Propaganda, apresenta um diagnóstico das campanhas publicitárias brasileiras. O grupo monitorou todos os comerciais que passavam em dois canais de TV, uma aberta e outra fechada, durante uma semana e ações no Facebook das mesmas marcas. E um dos resultados é:

“No recorte por segmento, as categorias que mais estereotipam continuam as mesmas: bebidas alcoólicas (97% em janeiro de 2016 ante 60% em julho de 2015) e produtos de beleza/cuidados pessoais (91% ante 39%). No segmento de bebidas alcoólicas, 94% do estereótipo se dá por meio de hiperssexualização e 77% por padrão de beleza. No setor de produtos de beleza/cuidados pessoais, a estereotipização ocorre, principalmente, por padrão de comportamento (75%) e padrão de beleza (95).”- Portal da Propaganda.

O estudo ainda concluiu que, os comerciais continuam representando mais pessoas brancas. “Dos 25% dos homens protagonistas, 93% são brancos. Dos 20% de mulheres protagonistas, 80% são brancas.” – Portal da Propaganda.

Tentando ir no caminho ao contrário, algumas marcas estão começando a mudar a mensagem em seus comerciais e tentando corrigir alguns erros do passado, um exemplo recente é a nova propaganda da Skol para o verão, que foi lançada em Dezembro/2016.

Com o slogan “No Verão Skol, redondo é sair do quadrado”, a marca estimula a quebra de padrões de beleza e incentiva que todos curtam o verão.  No comercial várias pessoas aparecem, cada uma com o seu corpo único, aproveitando a praia, sem medo de ser quem é.

De acordo com a pesquisa da Heads, o verão é uma época que tem o aumento da  hiperssexualização, objetificação da mulher e ao machismo nos comerciais. Muitos pensam que a propaganda não influencia os consumidores, mas a quantidade de dinheiro que as empresas investem em comerciais, mostra que essa opinião está incorreta.

Mas como pode chegar a esse ponto? A questão é, os criadores.

Uma matéria de 2015, intitulada “Machismo é a regra da casa”, do site Agência Pública, mostra que o machismo está muito presente dentro das agências e que só 10% dos criativos das agências brasileiras são mulheres, segundo uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão.

A falta de representatividade feminina na área de criação, deixa espaço para pessoas que possuem uma forma de ver totalmente estereotipada da mulher e do seu comportamento, além disso, elas têm uma visão distorcida da sociedade.

Felizmente existem marcas e agências que estão mudando essa forma de fazer propaganda e é uma pena que algumas ainda resistem às mudanças. Para quem pensa diferente e quer mudar a forma de fazer propaganda e o ambiente de trabalho, a hora é agora! Não será nada fácil, mas é preciso um início para acontecer a mudança e não ter medo de se posicionar.

É necessário conversar sobre esse assunto.

Apresento alguns exemplos de campanhas, que procuraram ir por um caminho diferente dos demais. :)

Fotos divulgadas no Instagram da Nike, para anunciar a nova coleção de tops.

Campanha norueguesa “Bem do jeito que você é”, da Dressmann.

 

Fonte: HuffPost Brasil, Portal da Propaganda e Agência Pública. 
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