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Semiótica no design, e agora? [parte 2]

Continuando meu post da semana passada sobre semiótica no design, nesta segunda parte, falarei das nossas relações com os produtos. Alguém já pensou em como ocorre essa relação? Como fazer os preparativos do casamento do produto com o usuário? Vou explicar como a semiótica entra nessa história.

Pois bem, semana passada vimos que a semiótica ilumina o processo no qual se dá a construção de um sistema de significação. Isso foi poético não é? Mas aqui não tem poesia, entender semiótica é um trabalho sério! Como a semiótica ajuda na percepção do produto? Simples, a percepção do produto dependerá do julgamento a que for submetido. Daí face a sua estrutura mental, o indivíduo reage ou responde a esse produto. Esse processo de interação é objeto de estudo de diferentes áreas do conhecimento: a ergonomia, a antropologia etc. Dentre elas, uma é a semiótica.

Para entendermos de análise semiótica em design é importante que memorizemos estes dois carinhas: Gerador e Interpretador. E agora? Calma que vou explicar!

Para que algo seja gerado/produzido, empresário e designer se articulam e constituem o lugar que denominamos de Gerador. Para projetar/produzir, o Gerador vai lançar mão de um conhecimento que pode acessar, seja do âmbito tecnológico seja do cultural. A partir desse acervo é que o produto toma forma e carrega os elementos que viabilizarão a sua comunicação. Esse elementos serão algo que se destina não só ao usuário, mas a todo um leque de indivíduos que não necessariamente utilizarão o produto, mas o reconhecerão e atuarão para que o produto estruture um processo de identificação.

O Interpretador de um produto não é só um individuo único. Ele é multiplicável em vários sujeitos, usuários, consumidores ou não, meros espectadores de uma ocorrência. A mensagem percorre, por diferentes canais, caminhos até chegar ao seu público alvo, mas não se restringe a esse. O projeto de design pode envolver desde o cliente que contratou o serviço até o usuário ou consumidor final, passando por fornecedores e pessoas que estarão envolvidas na comercialização e na difusão do produto gerado. Por isso, o designer deve ser sábio para conhecer o seu cliente, produto gerado e público, atentando-se para as limitações de seu cliente, metas e exigências.

Por fim, o Gerador e o Interpretador são os interlocutores do processo de comunicação. São elementos ativos no envio e recebimento da mensagem, num processo de alternância de posições com sua reação, o Interpretador passa a produzir mensagens, que por sua vez são processados (ou não) pelo Gerador.  A mensagem tem como objetivos, em primeiro lugar, fazer crer, em segundo, levar o Interpretador a fazer algo, tomar uma decisão. Ele é crítico o suficiente para selecionar suas ações em virtude da compreensão da mensagem. E se o designer fez seu dever de casa corretamente, toda mensagem será entendida com sucesso. Dúvidas? Semiótica está aí, mergulhem fundo nela.

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Dica de livro:
Elementos de semiótica aplicados ao design
Autora: Lucy Niemeyer

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