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Série: Proibidões #1

Como havia prometido, começa hoje a série “Proibidões”, e juntamente com ela muita polêmica. Pra quem não leu, escrevi um artigo explicando sobre o que é e como funciona o órgão que regulamenta as ações publicitárias no Brasil, o CONAR (Você pode ler a matéria aqui).

Antes de mais nada, vou deixar bem claro que concordo com algumas decisões e discordo de outras. Acho que o bom senso deve ser a principal ferramenta utilizada quando a questão é proibir ou não uma campanha publicitária de ser veiculada. Hoje vamos analisar dois casos de duas grandes empresas, acompanhe.

Nova Schin – São João

O caso:

Como pôde ser visto no vídeo, o que seria apenas mais uma propaganda de humor se tornou um problema, graças a um “pequeno” detalhe. Dois termos considerados de baixo calão deixaram os consumidores insatisfeitos e indignados, os termos reprovados foram “cagão” e “Filho d’uma égua”.

A denúncia alegou falta de ética e desrespeito para com o consumidor. O CONAR por sua vez pediu apenas a alteração dos termos em destaque, ou seja, foi pedido para que as palavras chulas fossem trocadas por outras mais leves. No site do Conselho apenas o termo “cagão” foi citado, mas com toda certeza a expressão “filho d’uma égua” trouxe um impacto maior.

Devido ao custo, muitas empresas preferem deixar de lado e apenas retirar de circulação suas campanhas, o que traria um prejuízo bem menor dependendo da situação. Mas o que a Schin fez foi simplesmente criar um roteiro diferente mas baseado na mesma ideia, porém sem as palavras consideradas ofensivas. Estratégias à parte, foi uma boa jogada.

Girafas – Já peguei 30

O caso:

Dor de cabeça resumiria muito bem este case. A campanha elaborada para a rede de lanchonetes Giraffas foi denunciada por diversos consumidores sendo tachada como ofensiva ao público infantil principalmente. O problema todo começou quando personagens do universo infantil, ou seja, os fantoches super engraçadinhos utilizaram uma linguagem de duplo sentido, tendo como base o apelo sexual.

Outros dois detalhes menores que foram  questionados são: a) A forma imperativa estabelecida no termo “colecione” exibida no site do anunciante; b) O incentivo feito via site ao uso do orkut, rede social proibida para menores. O CONAR em seu código desaprova qualquer ação que envolva apelos sexuais ou termos imperativos de venda direta a menores, assim como o uso de temas, objetos, personagens ou qualquer outro tipo de publicidade que desrespeite o universo das crianças.

Com todos estes pontos em questão, o relator do caso entendeu que a melhor solução seria a retirada do comercial de circulação. Por fim, a agência responsável, no caso a DPZ juntamente ao anunciante, tentaram recorrer da sentença alegando que o comercial foi desenvolvido para o público adulto frequentador da rede de restaurantes Giraffas.

Foram apresentadas algumas modificações a principio no comercial, uma em relação ao termo imperativo “colecione”, e a outra referente ao link no site que direcionava ao orkut, mas nada que pudesse desfazer a decisão já tomada pelo relator. A defesa tentou argumentar de várias formas possíveis, mas não obtiveram êxito e a veiculação da peça publicitária foi suspensa.

Apesar dos pesares, eu me pergunto se estas proibições seriam pedras para tropeço ou pedras nas quais podemos usar como auxílio no desenvolvimento das nossas mentes criativas.

Você acha que estas duas campanhas deveriam realmente ser retiradas do ar ou não? O CONAR agiu corretamente ou apenas impediu que boas ideias fossem vistas?  Os dois lados da força estão aí, proteção para nossas famílias ou abuso? Cabe ao bom senso decidir por si, próxima semana trarei outras campanhas, aguardem.

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