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Sobre futebol, paixão e marcas

Olá, leitores.

Hoje o post é sobre futebol e marcas. São assuntos que gosto e, sempre que possível tento relacioná-los, para ler e escrever sobre as boas histórias que esses assuntos proporcionam.

Todos acompanharam que, nestas semanas passadas, a Adidas e a Nike lançaram camisas que vão diretamente ao encontro da paixão clubística dos torcedores. Em clara jogada da busca pela fidelização, as gigantes da moda esportiva – e até casual, buscaram conquistar mais adeptos não só aos clubes, mas também às suas marcas, em uma sociedade atual que não exige fidelidade, como diz o autor e palestrante Dado Schneider.

Adidas e Nike sempre travaram grandes batalhas pelos primeiros lugares no coração, na mente, e no corpo de atletas profissionais, amadores e até de quem apenas simpatiza com as marcas por puro estilo.

A Adidas

Originária de 1920 quando Adolph Dassler, filho de um sapateiro, iniciou um pequeno negócio na cidade alemã de Herzogenaurach, para produzir calçados esportivos e malas militares para sustentar sua família. Em 1924 Rudolf, irmão de Adolph, junta-se a ao negócio e fundam a “Gebrüder Dassler Schuhfabrik” (Fábrica de Calçados Esportivos dos Irmãos Dassler, em alemão).

Posteriormente, por divergências principalmente políticas, os irmão resolverem seguir caminhos distintos. Rudolf funda a Ruda, uma combinação de RUdolph e DAssler, mas logo foi alterada para Puma, por soar mais acolhedora.

Atualmente, produzindo indumentárias muito mais casuais do que esportivas, a Puma já viveu grandes momentos no futebol, quando patrocinou Maradona e Pelé. Este último que, anos depois teve um segredo desvendado por Tostão, ao revelar que Pelé jogou a Copa de 70 com uma chuteira da Adidas, por achar  mais confortável, apesar de ter um contrato a Puma. O rei pediu ao roupeiro do time para fazer uma maquiagem em suas chuteiras: tirar as três listras do calçado Adidas e colocar no lugar uma única, mais grossa, igual à da Puma. Gênio em todos os aspectos este Pelé.

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Adolph (de apelido Adi) cria então a Adidas. O nome é a combinação de seu apelido “ADI”, e “DAS” iniciais do sobrenome Dassler. A busca por uma imagem que fosse mais reconhecidA à distância, culminou com o famoso “case” das três listras, surgindo assim um dos símbolos mais famosos e inconfundíveis do mundo, sendo posteriormente registrada de forma oficial como marca comercial da adidas.

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A Adidas, patrocinadora de grandes eventos como Olimpíadas e também a Copa do Mundo Oficial da FIFA, recentemente renovou até 2030 seu contrato de patrocínio com a entidade, garantindo a associação com a Copa do Mundo que já dura desde 1970, fornecendo desde a bola das partidas (sempre envolvendo grande mistério e festividade no lançamento desta), a produção de todos os uniformes oficiais do evento (desde os dos árbitros até o das crianças que aparecem junto com as seleções na estrada em campo) e até os troféus entregues aos melhores de cada Torneio.

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A marca das três folhas, para produtos esportivos, cujo símbolo representa uma montanha e também um pódium, preza pela essência dos atletas e pela alta performance destes ao buscarem sempre impossível e, dita o estilo de comunicação e foco das campanhas da marca.

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A maior campanha publicitária da marca foi lançada em 2003 com o slogan “Impossible is Nothing”, ressaltando justamente esta essência: o desejo de superar seus limites e superar o impossível. A campanha integrada mostra grandes atletas do passado e do presente, como a lenda do boxe Muhammad Ali, o corredor de longa distância Haile Gebrselassie, o ícone do futebol – e da vaidade – David Beckham, o jogador francês Zinedine Zidane, o nadador Ian Thorpe, o campeão dos 100 metros Maurice Greene e a estrela da NBA Tracy MacGrady e que, atualmente, tem  no argentino Lionel Messi (patrocinado pela Adidas e jogador do Barcelona, o maior clube do mundo e patrocinado pela Nike) sua estrela maior. A mensagem da campanha baseia-se na história real destes atletas, que desafiam o impossível para buscarem seus sonhos e objetivos, conseguirem quebrar recordes e mudar conceitos mundiais no esporte, na vida das pessoas e na paixão pela superação.

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A Nike

A marca nasce em um projeto de MBA de Phil Knight, um ex-atleta de corridas de média distância da universidade de Oregon, quando freqüentava o curso de gestão administrativa da Universidade de Standford. Ele acreditava que, ao importar tênis fabricados no Japão, utilizando mão-de-obra barata, poderia conquistar uma parcela de mercado da alemã Adidas. Começou a desenvolver tênis de atletismo em 1963 no Japão ao negociar com a marca Tiger a importação e representação de tênis para a finalidade, com o objetivo de introduzí-los no mercado americano.

A identificação visual da Nike surge em 1971, quando a jovem estudante de design gráfico, Carolyn Davidson, cria o símbolo da marca, chamado Swoosh. O nome Nike surgiu logo depois epor sugestão de Jeff Johnson, ex-rival de Phil nas pistas de atletismo, que havia sonhado com a Deusa grega da vitória, “NIKÉ”. Diziam os gregos que a Deusa podia voar e correr em grandes velocidades.

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Nas suas campanhas, a Nike aborda outros pontos. Ao contrário da Adidas que busca a essência dos atletas pela superação de limites, a Nike mostra o lado plástico e alegre do esporte, trazendo a beleza, a leveza, a elegância, a alegria e a arte e a ousadia das práticas esportivas. Neymar é um dos garotos propagandas da marca que se encaixa e representa de forma “tangível” todos esses atributos.

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A campanha Joga Bonito, lançada em 2006, foi um sucesso mundial para a NIKE. Na campanha, o ex-jogador Eric Cantona, frustrado com os aspectos negativos do futebol, cria uma emissora para transmitir seu próprio manifesto defendendo os atributos que podem salvar o esporte que ele ama: honra, garra, habilidade, alegria e espírito de equipe. A campanha traz os craques brasileiros Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno, o francês Thierry Henry e o inglês Wayne Rooney.

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O sucesso da campanha foi refletido em números: a marca vendeu mais de 2.4 milhões de uniformes e aproximadamente 23 milhões de pares de chuteiras em todo o mundo, consolidando assim uma posição de liderança, ao lado da rival Adidas, no mercado de futebol.

A essência lá do início das operações da Nike, quando começou a fazer tênis de atletismo, ainda se faz presente atualmente na divisão futebolística da marca, quando desenvolve chuteiras cada vez mais leves e caracterizadas em termos de design para as qualidades de cada jogador. Sim, o desenho de uma chuteira Nike para um zagueiro ou volante, que chutam de média distância, é diferente do desenho da de um atacante veloz. Uma clara mostra de que um par de chuteiras Nike transforma qualquer um em um bom jogador de futebol. O que é capaz de despertar paixão pela marca.

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Adidas, Nike e a Copa do Mundo no Brasil 2014

Nesta Copa, a americana Nike assumiu a ponta na briga e terá sua marca estampada nas camisas de 10 das 32 seleções. Adidas e Puma estarão em oito, cada uma. Juntas, as três fabricam os uniformes de 81% dos países que jogarão a Copa.

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A Nike patrocina atletas brasileiros como Neymar, Thiago Silva, David Luiz e Bernard que servem de inspiração e referência para os jovens que sonham virar jogadores de futebo. Além disto, criou para 2014 o terceiro uniforme dos clubes que patrocina no país na cor amarelo, como forma de homenagear a seleção brasileira. No Brasil, a Nike é patrocinadora do do Bahia, do Coritiba, do Corinthians, do Internacional e do Santos.

Há quem não goste de comprar as camisas da seleção brasileira mas, com esta homenagem que visa diretamente o coração – e o bolso – do torcedor apaixonado pelo clube, com certeza as camisas amarelas venderão bem e serão vistas misturadas às da seleção brasileira nas arquibancadas.

Comercialmente, a Nike também está muito bem, já que “controla” a França, a Inglaterra e o anfitrião Brasil, três das 5 seleções mais rentáveis economicamente.

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A Adidas, em uma baita jogada e, como uma bela resposta (ou não) desenhou o seu terceiro uniforme inspirado na camisa do clube de maior torcida do país: o Flamengo. Nos últimos tempo, A Adidas vem perdendo a briga para a concorrente mas, espera arrecadar no Brasil US$ 2,7 bilhões a mais em 2014 apenas em função de vendas impulsionadas diretamente pela Copa do Mundo.

A alemã, além de patrocinar oficialmente a Copa do Mundo, conta com seleções muito fortes e que simbolizam o futebol de acordo com a essência da marca. Das seleções classificadas, quatro são as mais bem colocadas no ranking da FIFA: Espanha, Alemanha, Argentina e Colômbia. Espanha e Alemanha também são muito valiosas comercialmente, a exemplo das já citadas controladas pela Nike.

Certamente a camisa alemã está contemplada neste cálculo de arrecadação, já que a Adidas também patrocina o Flamengo e, com certeza a torcida rubro-negra adotará a camisa alemã como um uniforme alternativo até mesmo depois da Copa.

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Seria lega um Brasil X Alemanha. Pareceria um Brasil x Flamengo. Alguma confusão visual poderia ser notada, já que torcedores brasileiros costumam utilizar suas camisas de clubes ao invés das camisas da seleção brasileira e, as camisas do Flamengo no meio da torcida do Brasil, poderiam ser vistas como camisas alemãs. É um espetáculo a parte realmente essa briga de marcas.

E só para relembrar. A Nike já venceu a Adidas ano passado na Copa das Confederações: Brasil 3 x 0 Espanha, em um jogo espetacular de futebol e em uma guerra indireta pelo poder das marcas.

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Gosto da Adidas pela seriedade e organização alemã com que trata o esporte, principalmente em conjunto com a FIFA, que apesar de alguns erros administrativos, trata o esporte como um grande e sério negócio e com um profissionalismo ímpar. A Nike também me encanta pela beleza com que constrói cada material, cada chuteira, cada campanha e, principalmente quando busca jogadores de futebol brasileiros em comunidades carentes, patrocinando inclusive Torneios para esta galera que na maioria das vezes não tem condições de realizar seus sonhos.

Cada marca tem seu valor e meu desejo é que continuem assim, explorando novos territórios e atraindo cada vez mais para as práticas esportivas saudáveis. E que estas brigas continuem assim, grandes, gigantes, saudáveis e boas de se ver e se beneficiar.

Um abraço e até a próxima.

Referências:

http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2006/06/adidas-impossible-is-nothing.html

http://wax-wane.com/2012/06/11/adidas-and-puma-the-story-of-adolf-and-rudolph-dassler/

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0706200619.htm

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/12/07/parca-quarentona-da-fifa-adidas-tenta-virada-em-duelo-com-a-nike.htm

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2014/01/1397731-nike-adidas-e-puma-dominam-uniformes-das-selecoes-nas-copas.shtml

http://www.mktesportivo.com/2014/02/alemanha-russia-argentina-e-espanha-os-uniformes-reservas-para-copa2014/

http://epocanegocios.globo.com/Essa-E-Nossa/noticia/2014/02/alemanha-lanca-uniforme-reserva-para-copa-inspirado-no-flamengo.html

http://pt.fifa.com/confederationscup/teams/team=43924/index.html

http://pt.fifa.com/confederationscup/photo/photolist.html

https://www.facebook.com/PalestranteDadoSchneider

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