Freela e Startup

Sr. (a) cliente eu quero que você…

… confie em mim. Calma pessoal, acharam que eu iria falar mal de cliente? Pois é, se enganaram, ou melhor, se enganaram um pouco (rsrs).

Antes de começar, vou ser sincero: Eu odeio cliente chato, odeio os pseudo designers que palpitam nas cores e nas fontes (conhecidas por eles como letrinhas), odeio que peçam para aumentar a logo, enfim, odeio que não me tratem como profissional. Pronto, desabafo feito. Agora podemos começar.

Por diversas vezes eu vi, ouvi e li, profissionais de publicidade e design gladiando com seus clientes. Uma batalha sem fim, e em alguns casos, sem pé nem cabeça. Pra quê isso, gente? Já parou para pensar que o cliente é o cara que paga seu salário? Não que por esse motivo o cliente tenha o direito de atormentar sua vida, mas quem atua no mercado deve saber lidar com esses seres humanos.

Vamos agora relembrar algumas situações vividas no nosso dia a dia e darei algumas dicas para tentar resolve-las de forma passível, sem derramamento de sangue. Não posso afirmar que sempre darão certo, mas são úteis.

1- Aumenta a logomarca

Um clássico dos clientes, elemento básico para que tudo comece “bem”. É correto afirmar que uma marca deve sim ser vista, mas qual a necessidade de ocupar 3/4 de um cartão de visita, ou de um folheto? Na cabeça do cliente existe algo bastante justificável. Um comerciante sempre dará valor a sua marca porque as pessoas precisam conhecê-lo. Uma empresa pequena quer expandir, mas ela não é grande no mercado ainda, então a solução aos olhos do cliente é: “Destacar” seu logo e chamar a atenção. Ele pensa que quando alguém visualizar sua marca, grande e vistosa, suas vendas vão aumentar e ele vai ficar conhecido. Esta é uma análise rápida e bastante superficial, eu poderia escrever uma monografia dos motivos que levam alguém a aumentar o logo, mas ficarei por aqui.

Como resolver? Em 90% das vezes (dados estatísticos da minha vida), o cliente vai manter a alteração de querer aumentar o logo, mas ainda existe uma luz. A argumentação nesses casos é fundamental, por isso apresente a ele alguns fundamentos para um bom layout, e faça-o em uma linguagem simples na qual ele entenda, afinal, nem todo mundo é obrigado a estudar design. Dê motivos pelos quais o cliente possa acreditar no seu layout, mostre a ele que não é apenas estética, mas um conjunto fatores que o diferenciarão de outras marcas.

2 – Segue em anexo o briefing

Duas linhas de pura loucura. Isso mesmo, a empresa mandou duas linhas de um briefing no qual você vai se virar para fazer algo jamais visto na terra. Esse é um desafio diário para um designer, me desculpe a palavra, mas é brochante. Um novo job está a caminho e a ansiedade para desenvolver algo incrível aumenta a cada instante, quando de repente, um balde de água fria é jogado na sua face. Um misero texto sem base para criar sequer uma logo feita no paint.

Como resolver? Depende. Você trabalha em agência ou é freela? Se trabalhar em alguma agência, demita o atendimento, caso seja freela, você terá que por as mãos na massa. Vá até o cliente pessoalmente, tire um tempo para entender o problema e ver de perto a necessidade da empresa. Eu garanto, dá resultado e você consegue passar muito menos raiva. Para quem ainda não leu, eu escrevi sobre o briefing, dá uma olha aqui, vai te ajudar.

3 – Da série: Segue em anexo parte II – Segue em anexo a logo em alta

Quando abrimos o e-mail esperamos encontrar mensagens do tipo: “Você passou do processo seletivo para trabalhar na Google Brasil. Seja bem vindo e traga sua carteira de trabalho na segunda”. Mas ao invés disso, vemos spams, métodos para aumentar sabe-se lá o quê, e o melhor de todos, segue a logo em anexo <logomarca.DOC>. A vontade é de pular do último andar de um prédio, mas por favor, NÃO faça isso, você supera o trauma.

Como resolver? Ligue para o cliente e peça com educação e muito bom humor para que ele, ou até você mesmo entre contato com quem desenvolveu a logo. Seja gentil e peça o arquivo em Illustrator ou seja lá em qual programa for, convenhamos, até no Corel é melhor que word. Caso o cliente não faça ideia de quem criou sua marca, o que demonstra uma bela falta de consideração pela própria empresa, cobre pelo serviço de vetorização, e se você for um(a) garoto(a) esperto(a), ofereça a criação de um novo logo.

4- Você consegue entregar hoje ainda?

Claro senhor, aqui é tipo padaria, SÓ QUE NÃO. Em tempos modernos e de muita correria, é comum vislumbrarmos prazos mais curtos. Dentro de uma agência o job sempre é para ontem. Mas porque será? Eu temo que os clientes façam parte de uma teoria da conspiração, cujo propósito é simplesmente ferrar com nossas vidas, mais nada. Mesmo que seja isso, não podemos fugir da responsabilidade, doa a quem doer.

Como resolver? Não procrastine, nem por um segundo. Para quem é freela, esta dica é mais importante ainda. Saia do face. Busque referências na internet sem perder o foco. Pare de brincar com o lápis. Você pode arrumar o quarto depois. Não fique ao telefone jogando papo fora. Resumindo, tenha foco. Quanto antes terminar, melhor para você e para seu querido cliente. Outra dica é: Consiga prazos. Saiba dialogar e convencer o cliente, mas nunca, nunca diga que a empresa precisa mandar o serviço com antecedência, eles vão achar que você não tem competência. Eu sei que é triste, é bastante ruim, mas até que a sociedade desacelere, temos que acompanha-la. E para deixar um contra ponto, gostaria de mencionar alguns designers espertinhos, que se acham artistas e pedem 30 dias de prazo, mas devo lembrar que você não é Da Vinci, então você não precisa de horas ao ar livre para ser contemplado com inspiração sobrenatural. Você é um designer, o(a) super designer da agência, a pessoa de outro planeta que faz coisas incríveis em poucos segundos. Boa sorte super designer, vai precisar.

5- Vou te pagar com balinhas, pode?

Agora a coisa ficou feia. Mexer com grana é problema na certa. Cuidado, no mercado existem “clientes” que gostam de dar o famoso “tumé” (calote). Na vida você vai se deparar com vários desses seres sem escrúpulos, ou alguns que disfarçadamente tentarão te enganar. Muitos já devem ter recebido propostas indecentes para trabalhar em troca de “publicidade gratuita”, como por exemplo: Faz essa logo que eu divulgo seu nome. Em outros casos, a pessoa tem a coragem de dizer que está caro e ele não pode pagar, mas o recado só é dito depois que o job está pronto.

Como resolver? Faça um contrato e deixe tudo muito claro. Não seja um amador, igual esses sobrinhos que aparecem por todos os lados. Infelizmente não há muito o que fazer se alguém não quer pagar a não ser leva-lo na justiça. Caso você não tenha lido, eu escrevi sobre esses contratos, dá uma lida aqui e confira.

6 – Estamos quase lá, faz de novo

Este vídeo abaixo descreve a reação que cada designer tem quando o cliente pede uma alteração. Reação interior, é claro.

Depois de nos identificarmos com o vídeo é hora de saber que a vida real é dura e provavelmente 90% dos jobs vão sofrer refação.

Como resolver? Não existe outra solução para a refação a não ser sentar novamente e criar outro layout. Por isso um bom briefing é essencial. Cuide para que as informações passadas pelo cliente estejam no layout. Eu sei que é fácil falar, mas é o máximo em que posso ajudar, minha parte é incentivar você para que se torne um profissional completo a cada trampo realizado.

7 –  Eu estou pagando, você faz o que eu mando

Quem nunca escutou isso provavelmente mora em algum lugar longe do planeta terra. O que mais se vê são clientes arrogantes e cheios de si, se acham os portadores da verdade suprema. Lidamos com seres humanos a todo momento, e cada um tem personalidade diferente, única, se acostume com a ideia de que nem todo mundo é igual sua mãe. Não dá para mudar a cabecinha das pessoas, se seu cliente é um baita ignorante, você vai precisar de muita paciência, encontre-a. Eu estou batendo na tecla do diálogo sempre, então, use este maravilhoso artifício que a humanidade possui para evitar problemas e até mesmo ir parar na delegacia.

Como resolver? Em relação ao “estou pagando”, o cliente está correto, mas se ele apelar para o “faz o que estou mandando” você tem dois caminhos. O primeiro e mais fácil é ignorar e fazer o que ele quer, e por favor, nunca ponha o seu nome no layout, se alguém perguntar você diz que não faz ideia do idiota que fez aquilo. O outro meio, e mais complicado é: Mandar o cliente catar coquinho e coloca-lo no seu lugar. Mas acredite, você não vai querer usar o método dois, é um pouco apelativo e constrangedor. Boa sorte, e que a força esteja com você.

8 – Só mais uma coisinha

Achata a logomarca. Muda a cor do fundo (sempre com gradiente). Coloca outra letrinha ali. Põe a foto no fundo. Essas e outras coisinhas são desesperadores, estressantes e fazem parte da nossa profissão.

Desta vez eu não vou falar como você pode resolver isso. Gostaria nesse momento de lhe dizer o seguinte: Você é um(a) guerreiro(a). Alguém que sai de casa, pega ônibus, metrô, chega atrasado, ganha um salário baixo, aguenta desaforo, tem que resolver mil problemas e ainda sim, ama o que faz. Você é incrível. Nunca deixe que clientes te coloquem para baixo. Jamais permita que um job recusado o faça desistir, você é melhor que isso.

Sabe amigo(a), conviver com pessoas é a coisa mas louca que alguém faz. Quando eu disse no começo que queria que os clientes confiassem em mim, eu realmente gostaria que eles vissem o outro lado da moeda. Talvez assim muitos nos respeitassem e entendessem que estudamos 4 anos ou mais para fazer além de um layout bonitinho. Algum dia as empresas vão entender que o designer cria conceito, valores e através do trabalho árduo, traz à vida algo que diferencia uma empresa séria das demais concorrentes. Cada empresa define sua grandeza, e se ela começa de um bom design, está no caminho certo.

Termino meu post com uma grande frase de um grande homem:

Bill

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