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Tendências no marketing Digital: tudo aquilo que ninguém te contou ainda sobre elas

Há cerca de 2 anos, publiquei um artigo no nosso blog parceiro, o Plugcitários, falando e comprovando o porque eu não acredito em tendências de mercado para o ano seguinte.

Pois bem, nesse final de ano, refletindo sobre o quanto o mercado criativo se desenvolveu nesses últimos anos, em especial o Marketing Digital e suas peculiaridades, vi por bem a oportunidade de atualizar esse meu texto.

O Contexto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A cada ano que passa, já ali em Dezembro pouco antes do natal, aparecem os famosos presságios para o próximo ano. Tudo baseado em percepções de profissionais e estudiosos sobre o caminho que o mercado vem tomando, o que de uma certa forma aponta algumas direções futuras.

Mas aí é que eu te pergunto: será mesmo? Ou será que existe uma confusão generalizada no uso da palavra tendência que se perdura por anos? É o que você vai saber nas próximas linhas desse meu último artigo do ano.

Comprovando a tese

Dando uma lida no dicionário Aurélio, um dos mais renomados da língua Portuguesa, encontramos a seguinte definição de tendência:

  1. Inclinação; vocação; propensão; queda, pendor.
  2. Força que faz um corpo mover-se.

Logo, entendemos que o termo  se refere a movimento para alguma direção. Por isso mesmo que ele é usado, para indicar algo que está por vir. Tendo dito isso, tomei como base algumas publicações que apontam esses movimentos para 2017. Artigos esses que não vou citar aqui por razões óbvias, mas que estiveram e estão aos olhos de todos o tempo inteiro.

No geral, todas elas, de uma forma ou de outra, acabam enfatizando 6 temas principais como agentes de mudança:

  1. Automação de Marketing: e-mailing
  2. Personalização de conteúdo
  3. Inbound Marketing e/ou Marketing de Conteúdo
  4. Mobile Marketing e Experiência do usuário
  5. Vídeo Marketing e Influenciadores digitais

Automação de marketing

Segundo as publicações, em 2017 o e-mail marketing estará diretamente relacionado a segmentação correta. Ou seja, conteúdo certo para as pessoas certas, evitando assim o tão odiado spam nas caixas de entrada.

Vejamos pois um trecho de um texto de um famosos blog publicado em 13 de Dezembro de 2015 que em um de seus tópicos, justamente o que fala em automação, diz “Os e-mails são automatizados para serem enviados em certas horas e de acordo com certos comportamentos…”

Não seria a mesma caso meu caro amigo? Como podemos explicar isso? Se continua o mesmo discurso de um ano para o outro isso não se chama exatamente tendência.

Personalização de conteúdo

Nesse quesito destaco o trabalho de análise de dados, Internet das Coisas, SEO e machine learning como fontes propulsoras do movimento de segmentação de produtos e serviços. Ou seja, quem não for o seu público não receberá o conteúdo, simples assim.

É aí que entra o teste A/B e todas as outras formas de comprovar qual é o material certo que as pessoas certas gostarão de consumir.

Voltemos então Dezembro de 2013, quando se falava em mídia programática, exatamente a mesma pauta que estamos tratando aqui, apenas com outro nome.

Diziam na época que os famosos algoritmos iriam fazer a mágica acontecer, transformando dados em informações de valor para um determinado público.

Isso quer dizer exatamente o momento que está sendo pautado agora como uma tendência impactante para o ano que se aproxima.

Inbound Marketing e/ou Marketing de Conteúdo

Esse é o caso mais bizarro de todos, pois em qualquer ano, em qualquer artigo de 2013 para cá podemos perceber o mesmo tema.

No blog da Resultados Digitais, um dos pontos de destaque como o grande fator transformador para 2017 é o denominado conteúdo mais denso, em outras palavras, aquele que tem uma comunicação mais direta e objetiva.

Um outro elemento é que a forma de se produzir textos para blogs, por exemplo, vai se tornar cada vez mais multimídia.

Ora se não vejamos. Em Janeiro de 2016, ou seja, ainda esse ano, esse era o mesmo quesito apontado como a revolução do ano em uma matéria da revista online da Pequenas Empresas e Grandes Negócios. Entretanto não foi exatamente isso que vemos se olharmos um pouco para trás?

Mobile Commerce e Experiência do usuário

Fortemente apontado com um crescimento no e-commerce, o mobile também já não é uma novidade para ninguém. Desde 2009 especialistas e estudiosos do mercado digital já apontam o mobile, o que veio só se reforçando ao longo dos anos.

Em 2015 participei do “Mobile Day”, um evento organizado pelo Google Brasil que mencionou e demonstrou o impacto dos Smartphones na vida dos Brasileiros.

Inclusive, em um livreto que foi distribuído a todos naquele mesmo evento, o Google afirma que 2015 foi o ano em que o mobile ultrapassou o desktop.

E continua nas páginas seguintes com dados alarmantes que informam coisas como:

  • 67% dos que veem TV também assistem vídeos pelo smartphone
  • 86% dos usuários se smartphone fazem pesquisa de compra no seu aparelho móvel
  • O site móvel é o principal canal para atividades comerciais no celular

E por aí vai. Isso então comprova que o impacto que o mobile tem sobre a vida das pessoas e suas decisões de compra são um fator importantíssimo para as marcas. Quase dois anos depois, números da pesquisa E-bits desse ano de 2016 informam que o mobile responde por 40% do faturamento de todo o e-commerce Brasileiro.

Em outras palavras, o que estamos falando aqui é de evolução, não tendência.

Vídeo Marketing e Influenciadores

Hoje em dia e cada vez mais quando falamos em vídeo não da para não pensar em Youtube e influenciadores digitais, a mais nova profissão que tem elevado as marcas a um outro nível de popularidade e engajamento.

Matérias de 2015 reforçam que vídeos seriam um grande elemento de engajamento entre pessoas e marcas com o público no geral. E como se não bastasse isso, alguns desses textos até mostram uma timeline desde 2008 provando resultados espantosos com o uso desse recurso audiovisual.

Da mesma forma, publicações famosas exacerbam o poder dos influenciadores digitais que com seus canais de Youtube ganhariam imenso poder em 2016.

Aí você vai dizer que essa acertaram e de fato tivemos um estouro na profissão Youtuber. Sim, é verdade, porém o discurso de 1 ano atrás era exatamente o mesmo que é apontado para o próximo ano.

Tendências: termo incorreto

 

 

 

 

 

 

 

Demagogia? Não. Arrogância? Muito menos. Prepotência? Está longe disso. Nenhum desses mencionados é o meu objetivo ou a razão por trás desse artigo, pois esses nunca foram valores meus nem como pessoa e nem como profissional.

Apenas quis trazer uma luz para uma questão jamais questionada. Muitas vezes usamos o nome tendências de forma errônea. O que de fato temos é uma leitura incorreta do real significado da palavra.

Se formos seguir ao pé da letra o conceito vemos que o que é tido como tendência hoje, já foi tendência ano passado, ano retrasado e assim retrospectivamente.

E sabe por quê? Porque o mercado digital está em constante evolução e ebulição e portanto nada pode ser considerado totalmente consolidado em um ano e por isso precisa ser levado para o seguinte período e a história não tem fim.

Para encerrar, vou subverter um pouco as técnicas mais clássicas da escrita para web deixando a conceituação da palavra evolução pelo mesmo dicionário Aurélio que utilizei no início desse artigo.

  1. Deslocamento progressivo.
  2. Série de movimentos concatenados e harmônicos.
  3. Sucessão de acontecimentos em que cada um está condicionado pelo(s) anterior(es).
  4. Processo de transformação em que certas características ou elementos simples ou indistintos se tornam aos poucos mais complexos ou mais pronunciados; desenvolvimento.

Portanto meus caros amigos, o termo correto seria evolução. O que apesar de parecer não é sinônimo de tendência, mas sim como diz o dicionário, um processo de transformação contínuo.

E Se você quiser ir mais a fundo nisso e explorar a teoria por trás de tudo que falei aqui, o Design Culture recomenda o livro Marketing e Comunicação na era Pós-Digital – As Regras Mudaram, de autoria do grande Walter Longo.

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