Design

The Helvetica

Se você é designer ou simpatizante com certeza já deve ter ouvido falar nesse nome. Se trata de uma fonte (ou tipo) semserifa da família lapidária, considerada por muitos como a mais popular do mundo, é também muito associada com o modernismo no design. Essa belezura foi criada no ano de 1957 por Max Miedinger e Eduard Hoffmann para a Haas Type Foundry na Suíça, com o objetivo de ser o máximo em legibilidade, sendo comercializada alguns anos depois pela Linotype.

Por inúmeras vezes é confundida com a também famosa Arial, esta que surgiu só em 1982 pelas mãos de Robin Nicholas e Patricia Saunders como uma cópia mal feita da Helvetica produzida para a IBM e posteriormente para a microsoft quando esta adotou o padrão TrueType no Windows 3.1. Rumores dizem que a Arial na realidade foi inspirada na Akzidenz Grotesk, uma fonte alemã do século 19, a qual também serviu de inspiração para a Helvetica.

Enfim, como todos nós sabemos, a tipografia é uma parte indispensável no design, ela pode ter uma grande personalidade e se alterada pode expressar de uma maneira totalmente diferente todo um projeto. Para Neville Brody, renomado designer gráfico inglês, a escolha do tipo deve ser a primeira arma no marketing comercial e propaganda.

Durante os anos 50, os designers sentiam uma grande necessidade de tipografias mais “racionais”. Foi aí que a Helvetica surgiu pelos desenhos de Max Miedinger primeiramente com o nome de Die Neue Haas Grotesk. O nome que conhecemos hoje foi dado por Eduard Hoffmann e pelo diretor de marketing da Stempel (fundidora que adquiriu a Haas e que posteriormente foi adquirida pela Linotype, empresa que hoje detém os direitos sobre a fonte) com o intuito de dar a ela um nome que soasse melhor para ser comercializada nos estados unidos. Die Neue Haas Grotesk realmente era um nome grotesco.. (rsrs)

Quando lançada, foi uma tremenda revolução para a época. Finalmente os designers tinha algo que era espantosamente neutro e aberto a infinitas interpretações, era exatamente o que eles procuravam! Matthew Carter, grande designer autor de pérolas como Verdana e Georgia, diz que a coisa mais fascinante na helvetica são os terminais horizontais que vemos nas minúsculas “a”, “c”, “e” e “g”.

Toda a estrutura é baseada nesses cortes horizontais e é praticamente impossível um designer olhar para estes caracteres e conseguir melhoralos de alguma forma. Logo a helvetica começou a reinar na linguagem visual das grandes corporações. Segundo a escritora Leslie Savan, hoje os governos e empresas amam a fonte porque as fazem parecer neutras e eficientes, e ao mesmo tempo humanas devido à suavidade das letras. Mas nem tudo são flores…Quanto mais a fonte era usada mais ela começava a ser facilmente reconhecível, previsível e sem personalidade, principalmente quando usada em trabalhos de baixa qualidade.

Durante os anos 70, nos estados unidos, se iniciou uma reação contra o que parecia ser uma acomodação por parte dos designers, havia agora uma nova necessidade por mudança. No período pósmoderno, todos já queriam distância daquela organizada e limpa superfície do design, procuravam produzir algo com mais vitalidade, algo menos entediante. Foi aí que começaram a se popularizar as tipografias ilustradas, peças totalmente psicodélicas, subjetivas e aleatórias começam a aparecer, a “tipografia grunge” deu luz a memoráveis capas de discos nos anos 70 e 80.

Hoje, depois de 56 anos após seu surgimento, mesmo com o advento da tecnologia e ótimas fontes surgindo todos os dias, a helvetica consegue ser bastante popular e ainda dividir opiniões, está presente em infinitas ruas das cidades e consegue de certa forma convidar todas as pessoas a fazer tipografia. E você? Utiliza muito a helvetica nos seus trabalhos? Acha que ela merece a fama que tem? Deixe nos comentários!

Parte das informações e citações nesse texto foram retiradas do excelente documentário “helvetica film”.
Recomendo bastante que assistam, um grande trabalho do diretor Gary Hustwit: www.helveticafilm.com

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