Design

Um papo com João Paulo Lopes sobre Tactile Design

Uma nova forma de Design tem ganhando cada vez mais destaque no Brasil, é um tipo de design que te faz sair do online e ir mais para o offline, o Tactile Design.

Quer mais detalhes? Batemos um papo com João Paulo Lopes que tem ganhando cada vez mais destaque nesse novo formato de Design, confira!

Quem é João Paulo Lopes?

Sou de Campinas, mas criado em Juiz de Fora-MG. Formado em Publicidade e propaganda, pós-graduado em marketing e negócios, estudei direção de arte e redação na Miami Ad School, Tipografia na Panamericana e Lettering. Fui designer na CafeSP, professor de Multimídia instrumental na Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente Sócio do Estúdio Migra (fotografia e pós-produção de imagens). Freelancer na David / Ogilvy.

Como foi seu primeiro contato com o Design em sí?

Trabalhar na indústria gráfica me fez perceber que ela era apenas uma parte do todo, e que design gráfico ou direção de arte era algo muito mais amplo e atemporal. Existem várias discussões sobre o fim da gráfica, do jornal, da televisão entre outras mídias. Mas independente do resultado que só o tempo revelará, o design estará sempre presente.

O que é o tactile design?

Se aprofundarmos teoricamente sobre o uso do termo tactile design, pode ser que não seja o mais adequado para representar essa técnica ou processo.

Mas basicamente é uma ilustração 3d feita artesanalmente, construída pelo próprio responsável ou por uma equipe. Vejo como um processo, que se inicia na construção de uma peça, o registro e a pós produção digital. O que permite uma autenticidade e exclusividade muito grande no resultado final, algo difícil de se adquirir atualmente em nossa sociedade com uma cultura tão digital e com tantos tutoriais disponíveis online.

Como você se interessou por ele? Foi difícil o começo?

Na verdade não foi nada programado, mas inicialmente senti uma necessidade de me distanciar do computador. Ao invés de gastar horas modelando uma peça em algum software 3d em busca de um resultado mais real o possível, porque não usar técnicas analógicas mescladas as digitais conseguindo um resultado mais “preciso” e realmente diferente do que estava encontrando no mercado.

Não vemos muitos Brasileiros se especializando nessa técnica, seria correto dizer que você é pioneiro nas terras tupiniquim?

Acredito que não teremos um pioneiro nesse “ramo”, vejo que muitos studios e empresas vem usando esse processo e cada um da sua maneira. Studios de manipulação de imagem, retoque e CGI, alguns ilustradores que resolvem ilustrar cortando papel ao invés de desenhar, fotógrafos que cortam o teto de um carro para conseguir uma foto perfeita, outros que constroem um hambúrguer feito de cera para fotografar, enfim, cada um à sua maneira vem usando o tactile design mesmo sem aplicar esse termo.

Como você enxerga o mercado brasileiro em relação ao tactile design?

Atingindo um mercado de nível nacional, na maioria das vezes, essas criações  serão à distância, assim, sem uma prévia organização, o processo, as alterações, deadline, e orçamento poderão sair prejudicados. Tornando o planejamento e organização os pontos principais para a realização de um projeto.

Conte-nos um pouco do seu processo de criação e o tempo até que ela esteja pronta.

Certa vez li uma frase que passava uma mensagem parecida com esta: Em um projeto o brasileiro passa 10% planejando e 90% executando, enquanto o europeu planeja os 90% e passa somente 10% executando, o que diminui custos, e potencializa o resultado. Assim, resumo todo o processo em uma palavra: planejamento, seja ele como for, impresso, digital, feito a lápis, caneta ou no celular. Não vejo outra maneira.

E é claro que para cada caso, um caso, mas normalmente esta organização passa por esses assuntos e muitas vezes, nesta ordem: Briefing; Pesquisas referências; Rough; Aprovação coletiva, interna e externa; Execução; finalização; pagamento; pós-venda. Itens que vou detalhar mais no decorrer do workshop.

Quais ferramentas básicas precisamos para fazer uma peça dessa?

Para cada projeto, uso recursos diferentes. Na capa da revista Choco la Design precisei ir a um ferro velho comprar um mictório vintage, e quebra-lo no stúdio para poder fotografar. Para isso, precisei de um martelo, um lugar para poder lavar o material…já para a peça do thrller para a ChicoRei.com, uma jaqueta, que não precisou ser recortada de verdade, infelizmente, rs.

Agora, para a fotografia amadora, feita com poucos recursos, é bom ter um mini stúdio, que é algo versátil e barato, com uma luz padrão mas que resolve muitas situações, algumas luzes contínuas, pela facilidade de manuseio, um difusor de luz e uma câmera simples ou um bom celular. Agora, se for um projeto que exija um resultado mais avançado, é melhor alugar um stúdio e contratar um fotografo.

Para finalizar a entrevista, que dicas você da para quem está começando?

Não tem uma receita formatada, mas o primeiro grande passo é se acostumar ou se adaptar a fazer projetos em equipe.

Se em determinado projeto, unirmos um diretor de arte com uma boa ideia, um especialista em escultura em papel, um fotografo, uma modelo, e uma maquiadora com stylist, um arte finalista para fazer a pós produção, com certeza obterão um bom resultado, que servirá de portfolio e experiência para todos. Lembrando novamente que este processo em equipe, exige cada vez mais um bom planejamento que é o maior indicador de um bom resultado.

O Design Culture agradece a sua entrevista!

http://www.joaopaulolopes.com.br/

 

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