Design

Uma súplica à beleza

Um dos grandes temores dos designers, de seus professores, promotores e por que não dizer, defensores, é justamente o vasto desconhecimento que a sociedade em geral tem sobre o assunto. O termo “Design” é amplamente usado, muitas vezes de forma equivocada, e isso causa uma grande confusão sobre o que é realmente o Design.

Daí se justifica o pavor que designers e seus coirmãos têm dessa ignorância maciça sobre o tema. Ora, não se pode acreditar naquilo que não se conhece. O que não é sabido não é respeitado. Essas (e outras) são as razões pelas quais o mercado investe ainda tão pouco em Design. Na maioria das vezes ele é visto ainda como uma aposta e não como uma certeza.

Reconhecida essa dificuldade do mercado em entender e se utilizar do verdadeiro Design, os profissionais da área buscam desesperadamente se afirmar, em muitos momentos buscando fundamentar seus trabalhos no concreto, na solidez dos recursos técnicos, visando com isso clarear um dos principais enganos cometidos pela maioria: confundir Design com arte ou com
adornos desnecessários.

No entanto, esse ímpeto de provar que Design não são “miçangas coloridas” e sim o responsável por conceber e desenvolver todo o projeto, contemplando aí todas as variáveis possíveis, pode ser o causador de uma dureza e uma frieza excessivas, adjetivos que quando presentes num projeto também descaracterizam o Design. Se Design não é arte por não se preocupar somente com a estética, ele também não é engenharia para se preocupar somente com a função. A riqueza e a complexidade do Design estão justamente nessa junção harmônica entre beleza e funcionalidade. Uma das definições mais simples para o Design, e talvez uma das mais eficientes também, é forma e função. Sabe-se que a matéria envolve e se utiliza dos conhecimentos de várias outras áreas, mas a raiz do Design é essa, aliar o visual com o funcional de forma satisfatória.

Para que não se perca, nem por um lado, nem por outro, a essência do Design, um apelo: não se pode esquecer que a beleza deve sim estar presente em qualquer projeto sério de Design, seja ela de forma virgem, como é reconhecida pelo senso comum, ou de forma modificada, conceitual, mas é uma preocupação irrevogável dos designers.

Justamente por não ser arte o Design tem obrigações com o mercado, ele tem que ser comercial ou não se justificaria. As pessoas, muito embora estejam vivendo hoje num mundo onde se multiplicam as barbáries, clamam pelo que é belo.

Um consumidor raramente não se rende ao que lhe agrada aos olhos.

Eis a “mágica” do Design, realizar projetos (sejam eles de produtos tridimensionais, bidimensionais ou virtuais) que atendam e/ou superem as necessidades e que sejam lindos sim, que tragam encantamento aos seus públicos. Sem um desses dois lados, a mágica não acontece.

Gisele Monteiro

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