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Mulher brasileira em 1° lugar!?

Há quem diga que tenho um pé no feminismo.
Há quem diga que tenho um pé no machismo.
Porém afirmo: Sou feminista e essa é uma das palavras que me define!

Sempre que o dia 8 de Março se aproxima, somos bombardeados com propagandas alusivas ao Dia Internacional da Mulher. Até pouco tempo atrás as propagandas de grande impacto costumavam vir apenas da TV. Mas os tempos mudaram, veio o advento da internet, as pessoas se juntaram em grupos de interesse nas redes sociais, as marcas viram e entenderam que cabia mídia ali também. As marcas vieram e o cenário da propaganda mudou. Principalmente porque a via que sempre foi de mão única acabava de se transformar em via de mão dupla. E agora não tem mais volta…

Não é difícil encontrarmos propagandas que desagradam a maioria de seu público alvo ou ainda, em um cenário mais catastrófico, desagradam a opinião pública.

Creio que a maioria das pessoas que acompanham esse blog são pessoas da área de criação, logo, formadores de opinião. E sim, qualquer coisa que fizermos para que seja mostrada aos outros vai causar algum impacto. Seja em curto ou longo alcance, aquilo vai impactar de alguma forma. E não nos esqueçamos: “uma vez visto, pra sempre registrado”.

Ainda essa semana uma polêmica foi causada por conta de certa grife (que a maioria conhece) vendendo uma camiseta alusiva ao carnaval. A indignação de muita gente foi por conta de uma criança usando uma camiseta com a seguinte frase: “vem ni mim que eu tô facim”. As devidas desculpas foram dadas pela empresa e seus responsáveis, mas o estrago já está feito… A empresa vai falir!? Não! Mas ninguém quer que sua marca seja mal falada.

Outra foi a da máquina de lavar como “presente” para Dia Internacional da Mulher. Concordo que se a propaganda for vista de forma isolada, de fato soa bem machista, entretanto era um post de uma série de outros com vários produtos. A marca acabou retirando a postagem, mas o estrago já estava feito. A empresa também não vai falir por isso. Mas… Enfim.
Quero acreditar que não houve intenção de depreciar a mulher e que foi mais uma desatenção mesmo. Porém é nesse viés que muitas marcas têm dado “tiro no próprio pé”.

Essa desatenção tem aparecido cada vez mais por diversos motivos: alcance maior das publicações; cada vez mais pessoas estão reunidas em torno do mesmo interesse ou da mesma causa; má intenção de quem cria e mais um monte de aspectos que podem ser abordados em outra oportunidade. Porém, um dos sintomas mais latentes é por conta de muitas empresas (e aí nesse pacote podem ser incluídas as empresas e pessoas que criam e as que consomem a criação) pensarem apenas na propaganda pronta para mostrar ao consumidor. Coisas feitas “pra ontem” ou em cima da hora, ignorando os processos básicos da criação.

É de se imaginar que uma propaganda em que as pessoas são “convidadas” a sempre dizer sim pra qualquer pedido em uma festa popular não tenha passado por um processo sério de pesquisa.

Sei da realidade de muitas pessoas que não tiveram a oportunidade (ou vontade) de participar de uma equipe/agência de criação. Mas isso não vai eximir ninguém das culpas. Como supracitado, uma vez visto, pra sempre registrado.

Mas cuidado: vivemos em um mundo com tendências ultra-extremistas! Haja vista estarmos em 2015 e termos dados reais de que mulheres são vendidas como mercadoria para fins de exploração sexual. Aliás, muitas marcas têm um comportamento, em minha opinião, nocivo em que associam produtos a mulheres para consumo. O pensamento imposto para incentivar o consumidor é: compre e consuma esse produto e tenha sempre a sua subserviência essa linda mulher.

É uma triste realidade que está enraizada nas entranhas da comunicação de nosso país. Mas acredito que isso um dia pode mudar. Não por homens. Nem por mulheres. Acredito que isso pode ser mudado apenas pelo ser humano pensando no próximo.
E tomara que essa mudança seja iniciada pelos profissionais de comunicação e formadores de opinião. Ou seja, por nós!

Caso contrário, vamos continuar vivendo num mundo onde mulheres serão criticadas pelo simples fato de optarem fazer o que as faz feliz. Vamos continuar vivendo num país onde é preciso esperar o dia 08/03 e o 12/06 para presentearmos uma mulher. Se ninguém tomar uma atitude de mudança, vamos continuar vivendo num mundo onde mulheres são subjugadas, agredidas, violentadas, assassinadas…

Feliz Dia Internacional da Mulher!

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Em tempo: agradeço demais aos colunistas desse blog, em especial a sempre inteligente e concisa Raissa Jappe, pois esse post foi permeado a partir de nossas conversas.

Também agradeço ao mestre Vavá Rodrigues que jogou uma luz muito clara a respeito das mulheres na propaganda.

E já que estou aqui agradecendo, agradeço ás mulheres da minha minha vida que sempre me aturaram: minha mãe Vera Lúcia, minhas irmãs Andréa e Verônica. E também a mulher que escolheu me aturar e me alçar ao honroso posto de homem de sua vida: Josi Salgado.

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